Governo quer desfigurar o PCCTAE sob o pretexto de āmodernizaçãoā
- SINTUFF
- 13 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 31 de out. de 2025
A ComissĆ£o Nacional de SupervisĆ£o do Plano de Carreira dos Cargos TĆ©cnico-Administrativos em Educação (CNSC) realizou em 9 de outubro), no MinistĆ©rio da Educação (MEC), nova reuniĆ£o para discutir o futuro da carreira e debater os encaminhamentos apresentados pelo MinistĆ©rio da GestĆ£o e da Inovação em ServiƧos PĆŗblicos (MGI). O encontro escancarou uma direção preocupante: sob o discurso de āenxugarā e āmodernizarā, o MGI tenta reformular o Plano de Carreira dos Cargos TĆ©cnico-Administrativos em Educação (PCCTAE) em bases que fragilizam a estrutura atual e ameaƧam a valorização dos(as) trabalhadores(as) da Educação Federal.
O que se desenha Ć©, de fato, uma reforma administrativa disfarƧada, conduzida por meio da tentativa de esvaziar os cargos, reduzir Ć”reas de especialização e padronizar funƧƵes em moldes genĆ©ricos ā uma lógica que atinge diretamente o carĆ”ter pĆŗblico, tĆ©cnico e especializado da carreira.
Tentativa de reduzir e generalizar os cargos
O MGI questionou o relatório elaborado pela CNSC e desconsiderou aspectos fundamentais do trabalho tĆ©cnico nas universidades e institutos federais. O governo pretende reduzir de 97 para, no mĆ”ximo, 20 especialidades, alegando āexcesso de fragmentaçãoā. A proposta, alĆ©m de tecnicamente inconsistente, contraria o princĆpio da racionalização com valorização, substituindo-o por um modelo de simplificação que ameaƧa a qualidade das atividades e abre espaƧo para a precarização.
O MGI tambĆ©m rejeitou o uso das Ć”reas do Conselho Nacional de Desenvolvimento CientĆfico e Tecnológico (CNPq) como base para caracterização dos cargos, demonstrando desconhecimento da própria lei do PCCTAE, e contestou a possibilidade de tĆ©cnicos coordenarem projetos, o que viola direitos jĆ” assegurados na legislação. Mesmo os cargos extintos ou vedados para provimento foram deixados de lado, como se as pessoas ainda ativas nessas funƧƵes pudessem ser ignoradas.
SINTUFF jĆ” alertava para os riscos dos ācargos amplosā
Desde o ano passado, o SINTUFF vinha alertando sobre o risco representado pela ampliação dos chamados ācargos amplosā, conforme apontado em assembleia realizada em 19 de novembro de 2024. Na ocasiĆ£o, a categoria aprovou resolução contrĆ”ria Ć proposta preliminar do GT Cargos da FASUBRA, que sugeria a expansĆ£o dos cargos amplos para todo o PCCTAE.
Segundo a deliberação, tal medida facilitaria a aplicação fatiada de uma reforma administrativa, ao permitir que a gestão unifique funções distintas sob descrições genéricas. O sindicato defendeu, então, que a racionalização da carreira deve ocorrer sem diluir suas especificidades, preservando as atribuições técnicas e o reconhecimento do trabalho especializado que sustenta as universidades e institutos federais.
A tentativa do MGI de retomar essa lógica confirma as preocupações expressas pela categoria: a criação de cargos amplos abre caminho para a desestruturação da carreira e para o esvaziamento de direitos historicamente conquistados.
A bancada sindical rejeitou a contraproposta apresentada pelo MEC, que sequer contemplava especialidades como biólogo e quĆmico. Foi deliberada, entĆ£o, a reabertura do Grupo de Trabalho (GT) Cargos, com prazo de 15 dias para elaborar uma nova contraproposta que reafirme o carĆ”ter tĆ©cnico, pĆŗblico e democrĆ”tico do PCCTAE.
Também foi reaberto o GT Desenvolvimento, responsÔvel por tratar dos Decretos nº 9.991 e nº 5.824, que regulamentam o desenvolvimento na carreira e os Incentivos à Qualificação (IQ). O MGI, contudo, não apresentou retorno sobre os encaminhamentos feitos desde dezembro de 2024, o que revela descaso e falta de compromisso com o diÔlogo efetivo.
Regulamentação do RSC
Outro ponto debatido foi o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC). O MEC informou que o texto do Projeto de Lei segue na Casa Civil e deverÔ ser encaminhado em breve ao Congresso Nacional. Em cerca de 15 dias, ocorrerÔ uma reunião em que o MGI apresentarÔ ao MEC a minuta do decreto que regulamentarÔ o tema.
Defender o PCCTAE é defender a Educação Pública
O que estĆ” em jogo vai alĆ©m de um ajuste burocrĆ”tico: trata-se do rumo da polĆtica de pessoal nas instituiƧƵes federais. A padronização e o esvaziamento propostos pelo MGI colocam em risco a própria concepção de universidade pĆŗblica e democrĆ”tica.
Defender o PCCTAE é defender a Educação Pública, o trabalho técnico especializado e o papel estratégico dos(as) técnico-administrativos(as) na produção e manutenção do conhecimento!
