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  • Foto do escritorSINTUFF

Atividade no HUAP demonstra vigor da greve e denuncia precariedades do hospital


O Comando Local de Greve (CLG) do SINTUFF organizou uma atividade de convencimento e visibilidade do movimento grevista (16) na entrada do Hospital Universitário Antonio Pedro (HUAP). Muitos(as) servidores(as) atrasaram o início do atendimento ao público como forma de expressar ao governo federal, à reitoria e à gestão do hospital, insatisfação pelo não atendimento das reivindicações da greve.


Durante a atividade foram entregues cartas à população para retratar a realidade da saúde pública federal e denunciar o desmonte do caráter educacional do HUAP pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), gestora da unidade hospitalar. A presença de poucos servidores no hospital durante essa manhã é resultado, por um lado, da forte adesão à greve e, por outro, da falta de reposição das vagas de aposentadoria através de concurso público para a UFF. A reitoria jamais expôs para onde foram destinadas mais de 400 vagas que, ao não serem repostas, causaram esvaziamento do HUAP e redução de serviços oferecidos à população.


Em audiência marcada junto à reitoria no dia 2 de maio, pela terceira vez consecutiva, a superintendente do HUAP vinculada à EBSERH, Verônica Alcoforado de Miranda, não compareceu. A audiência tinha por objetivo tratar das reivindicações locais dos(as) servidores(as) do HUAP e pactuar a manutenção dos serviços essenciais sem ferir o exercício do direito à greve.

 

Veja a carta que foi distribuída durante a atividade de greve:

 

Carta aberta à população


Nós, servidores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Hospital Universitário Antonio Pedro (HUAP), unidade de saúde vinculada à UFF, entramos em greve juntamente a servidores de outras 60 universidades e institutos. Nos últimos oito anos amargamos mais de 53% de perdas salariais. Para 2024, o governo nos propôs reajuste salarial ZERO, o que acarretará mais perdas. Nosso plano de carreira está defasado, sem mudanças importantes há quase vinte anos.

 

Só há dinheiro para os bancos?


Mas a greve não é somente sobre o nosso salário e a nossa carreira. Ela também é uma luta pela recomposição orçamentária das universidades e demais serviços públicos. As universidades sofreram uma nova redução de 310 milhões no orçamento para 2024. Em 2023, o governo federal promoveu um bloqueio orçamentário de R$ 1,5 bilhão, dos quais foram bloqueados R$ 452 milhões da Saúde e R$ 333 milhões da Educação. Enquanto isso, os juros e amortizações da dívida pública para abastecer os banqueiros consomem quase metade das despesas públicas (mais de 2,4 trilhões). Evidentemente que esses cortes e a farra dos banqueiros com dinheiro público resulta em hospitais que não atendem a população com a devida eficiência.


O HUAP deixou de pertencer à UFF?


Há oito anos o Hospital Universitário Antonio Pedro teve sua gestão desvinculada da UFF e entregue à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). Sob o comando da EBSERH, os acidentes de trabalho e o adoecimento de trabalhadores se acumulam no HUAP. Há inúmeros casos de servidores que tiveram atendimento de emergência negado, mesmo quando se acidentavam ou se sentiam mal durante o trabalho. A degradação dos equipamentos e instalações se aprofunda. Já houve acidentes de alto risco, tais como um incêndio no Banco de Leite e a queda de um elevador, dentre outros incidentes. Muitos dos insumos são de baixa qualidade, despadronizados ou inadequados ao serviço e há escassez de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Mais de 400 vagas de servidores decorrentes de aposentadorias não foram repostas por concurso público pela UFF para o Hospital Antonio Pedro. Foram oito anos nos quais se intensificaram a falta de condições de trabalho e precariedade dos serviços.

 

Ou a gente luta ou o HUAP acaba

 

O desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS), que afeta os hospitais universitários, se estende a toda a rede de saúde. Servidores(as) dos hospitais federais também deflagraram greve. Entre as pautas da rede federal, além da questão salarial, se somam reivindicações contra o fatiamento e a privatização do complexo de hospitais federais; pagamento do adicional de insalubridade em grau máximo; pagamento do piso da enfermagem em valores integrais; fim do desmonte dos hospitais; retomada dos investimentos na compra de insumos e infraestrutura; e realização de concurso público que cubra o déficit de pessoal, estimado em 60%.


Sabemos que as greves causam transtornos, mas este é o instrumento que temos para defender nossos direitos e os serviços públicos. Ou a gente luta ou o SUS e Hospital Antonio Pedro acabam. Em respeito ao direito de greve, os serviços essenciais, portanto inadiáveis, seguem mantidos, em sistema de revezamento entre os trabalhadores em greve.


A EBSERH tenta dificultar e inviabilizar a greve com ações judiciais em algumas universidades ou tentando interferir de forma unilateral nas escalas de greve. No HUAP, a gestão da EBSERH foge deliberadamente de audiências com o Comando Local de Greve que debateriam as pautas locais da categoria e permitiriam pactuar essas escalas.


Pedimos o apoio da população à nossa greve, por mais verbas para universidades e hospitais universitários, para que a gestão do HUAP seja devolvida para a UFF, por concurso público e por valorização salarial e da carreira dos trabalhadores.

 

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