SINTUFF promove roda de conversa sobre eleições e divulga resolução sobre orientação de voto


O SINTUFF realizou, na quinta-feira, 1º de outubro, na Casa do SINTUFF, uma roda de conversa sobre as eleições de 2026. Com mediação do coordenador Wagner Peres, o encontro reuniu representantes de três candidaturas à Presidência da República para discutir o cenário político, o enfrentamento à extrema-direita e os caminhos de organização da classe trabalhadora.
Participaram como expositores Carlos Augusto, representando a candidatura de Hertz Dias (PSTU); Guilherme Leme, do PSOL, representando a candidatura de Lula (PT); e Esteban Crescente, da Unidade Popular (UP), representando a candidatura de Samara Martins (UP). A atividade também foi transmitida pelas redes sociais do sindicato.
As exposições apresentaram diferentes avaliações sobre a conjuntura internacional, as políticas do governo federal e as estratégias da esquerda nas eleições. Entre a rodada inicial e as considerações finais dos expositores, diversos presentes manifestaram suas opiniões e impressões acerca do processo eleitoral, fizeram perguntas e contribuíram para o debate.
Resolução do SINTUFF sobre as eleições
Em sua Coordenação, o SINTUFF aprovou uma resolução sobre as eleições que orienta a categoria a votar em candidaturas que contemplem o programa já aprovado nas instâncias do sindicato. A orientação estabelece como critérios a defesa do fim da escala 6x1 e da suspensão ou extinção do pagamento da dívida pública aos banqueiros, além da taxação dos bilionários e das multinacionais e do fim das privatizações das empresas estatais e dos serviços públicos.
A resolução também aponta a defesa da criminalização da misoginia, dos direitos da população LGBTQIA+ e das cotas raciais e sociais nas universidades e nos concursos públicos. Inclui, ainda, o fim das operações policiais nas favelas, a demarcação das terras dos povos indígenas e a reforma agrária. Na defesa da soberania nacional, orienta o voto em candidaturas comprometidas com a defesa das terras raras e dos recursos naturais, bem como do meio ambiente contra a exploração predatória das mineradoras e do agronegócio.
Esteban Crescente (UP): programa político e mobilização popular

Esteban Crescente apresentou as propostas da candidatura de Samara Martins (UP), defendendo o controle popular sobre a economia, a reestatização de setores estratégicos, a auditoria da dívida pública e o aumento de 100% do salário mínimo. Relacionou essas medidas à necessidade de enfrentar a concentração de riqueza e garantir recursos para os serviços públicos e as necessidades da população.
Ao abordar as conquistas dos(as) técnico-administrativos(as) em educação, destacou o papel da mobilização para assegurar o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC): “Nós arrancamos o RSC na greve para cumprir o acordo.”
O representante da UP defendeu as candidaturas de esquerda no primeiro turno como uma oportunidade de apresentar propostas e fortalecer reivindicações que devem continuar nas ruas após a votação. Também afirmou seu compromisso com a ampliação do RSC aos segmentos excluídos, a recomposição do orçamento das universidades e os direitos dos(as) aposentados(as).
Ao sintetizar a relação entre disputa eleitoral e organização popular, declarou: “Então a luta cabe dentro da eleição e a luta alimenta o processo eleitoral e no processo eleitoral nós temos que alimentar as lutas.”
Guilherme Leme (PSOL): enfrentamento à extrema-direita

Guilherme Leme defendeu o voto em Lula (PT) desde o primeiro turno, argumentando que o crescimento da extrema-direita e as ameaças às liberdades democráticas exigem o fortalecimento de um campo democrático e popular.
Em sua avaliação, o cenário atual apresenta diferenças em relação aos primeiros governos petistas, especialmente pelo caráter das forças de oposição: “a oposição que a gente tem hoje não respeita o Pacto Democrático.”
Guilherme também apresentou críticas aos governos do PT, apontando limites na participação popular e na formação política dos setores que tiveram melhorias em suas condições de vida. Defendeu que a organização dos(as) trabalhadores(as) e a disputa de ideias enfrentem o individualismo e a ideologia neoliberal.
Sobre a atuação da esquerda, afirmou: “é muito necessário que a gente organize os trabalhadores”.
Carlos Augusto (PSTU): independência de classe e alternativa à conciliação

Representando a candidatura de Hertz Dias (PSTU), Carlos Augusto defendeu a construção de uma alternativa política independente da classe trabalhadora. Em sua exposição, relacionou o avanço da extrema-direita à crise do capitalismo, à precarização do trabalho e à ausência de respostas às necessidades populares.
Carlos criticou a política de conciliação de classes dos governos petistas e argumentou que o enfrentamento à extrema-direita exige fortalecer a organização e a mobilização dos(as) trabalhadores(as). Ao discutir como alterar a correlação de forças, afirmou: “Só tem uma forma, mobilizar os trabalhadores e organizá-los.”
Entre as propostas apresentadas, destacou a retomada de setores estratégicos da economia, o enfrentamento à crise ambiental e medidas voltadas à segurança pública. Sustentou que a campanha eleitoral deve contribuir para apresentar esse programa e construir uma alternativa de poder dos(as) trabalhadores(as).
Participação dos presentes
Nas intervenções do público, foram recorrentes a preocupação com o avanço da extrema-direita e a necessidade de fortalecer a organização popular, o trabalho de base e a formação política. Diversas falas ressaltaram que a atuação dos sindicatos e dos movimentos não pode se limitar ao calendário eleitoral, destacando as mobilizações como instrumento para conquistar direitos e cobrar respostas às necessidades da população.
Também apareceram questionamentos sobre a unidade da esquerda, a fragmentação das candidaturas e as estratégias para o primeiro e o segundo turnos. Houve diferentes avaliações sobre o apoio a Lula (PT) e sobre os limites da política de conciliação de classes, com intervenções favoráveis ao voto desde o primeiro turno e outras em defesa de candidaturas independentes nesse momento.
Outro tema recorrente foi a destinação dos recursos públicos. As falas relacionaram a dívida pública e as restrições fiscais à falta de orçamento para educação, saúde e outras políticas sociais. A experiência das greves e das lutas estudantis foi lembrada como demonstração da importância da mobilização para defender os serviços públicos e os direitos da classe trabalhadora.
O encontro abriu espaço para a discussão entre diferentes posições presentes na categoria e na direção do SINTUFF, articulando as escolhas eleitorais aos desafios da luta sindical e política.




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