Roda de coversa reforça mobilização contra o machismo e a misoginia, no mês de luta das mulheres
- SINTUFF

- 16 de mar.
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Como parte das atividades políticas da greve dos(as) técnico-administrativos(as) da Universidade Federal Fluminense (UFF), o Comando Local de Greve (CLG) realizou, na manhã de quinta-feira (12), na Casa do SINTUFF, uma roda de conversa dedicada ao mês de luta das mulheres. A atividade reuniu servidoras(es) da universidade para refletir sobre as relações entre feminismo, luta de classes e o enfrentamento às opressões de gênero presentes na sociedade brasileira.
Participaram do debate Bernarda Thailania, engenheira agrônoma, técnica em agropecuária no Instituto de Biologia da UFF, ex-coordenadora geral do SINTUFF e integrante do coletivo Combativas, e Patrícia Santiago, assistente em administração da UFF e doutoranda pelo Programa de Sociologia e Direito da universidade. As duas palestrantes abordaram, a partir de perspectivas complementares, como as desigualdades de gênero estão profundamente conectadas às estruturas sociais e econômicas que organizam a sociedade.
Machismo é um fenômeno estrutural do capitalismo
Em sua exposição, Patrícia Santiago discutiu as bases estruturais do machismo e sua relação com a forma como o capitalismo organiza o trabalho e a vida social. Segundo ela, a divisão histórica entre trabalho produtivo (reconhecido economicamente) e trabalho reprodutivo (associado ao cuidado, à família e historicamente atribuído às mulheres) ajuda a explicar por que as desigualdades de gênero se reproduzem de forma persistente.
Patrícia destacou que compreender o machismo como um fenômeno estrutural significa reconhecer que ele não se manifesta apenas em atitudes individuais, mas está presente na própria organização da sociedade. “Quando a gente usa o termo estrutural significa o quê? É parte da estrutura do capitalismo essa divisão, o machismo, ele vem dessa divisão”, afirmou durante o debate.
A palestrante também ressaltou que, no caso brasileiro, essas desigualdades se articulam com a herança do racismo estrutural, resultado de um processo histórico marcado pela escravidão e por profundas desigualdades sociais. Para ela, compreender essa realidade é fundamental para que a luta feminista consiga dialogar com a diversidade da classe trabalhadora e fortalecer processos de organização coletiva.
Outro ponto destacado por Patrícia foi a necessidade de combater o crescimento de discursos misóginos e antifeministas, especialmente nas redes sociais, que acabam alimentando ambientes de hostilidade e violência contra mulheres. Nesse sentido, ela defendeu a importância de ampliar o debate público sobre o feminismo e fortalecer espaços de formação política que contribuam para enfrentar essas narrativas.
Combate ao machismo e à misoginia é parte indissociável da luta de classes
Na sequência da atividade, Bernarda Thailania aprofundou a reflexão sobre a relação entre feminismo, racismo e luta de classes, enfatizando que a realidade brasileira exige uma leitura que considere simultaneamente essas dimensões. Em sua fala, destacou que a formação social do país foi construída sobre bases profundamente desiguais, marcadas pela exploração do trabalho e pela violência contra populações negras e mulheres.
Bernarda ressaltou que reconhecer essas contradições é essencial para construir um movimento da classe trabalhadora que seja, de fato, inclusivo e capaz de enfrentar todas as formas de opressão. “Se a gente não reconhece que dentro da luta de classe precisamos lutar contra o racismo, contra o machismo e contra a misoginia, a gente não vai ter o movimento real da classe trabalhadora”, afirmou.
A palestrante também abordou desafios concretos enfrentados por mulheres em ambientes de trabalho e dentro das próprias instituições públicas, destacando a importância de criar mecanismos efetivos de acolhimento e denúncia em casos de assédio e violência. Segundo ela, muitas vezes as vítimas encontram dificuldades para levar essas situações adiante, o que reforça a necessidade de mudanças institucionais e culturais.
Além das reflexões teóricas e políticas, a roda de conversa também abriu espaço para a participação das(os) presentes, que compartilharam experiências e questionamentos relacionados ao cotidiano de trabalho, às desigualdades de gênero e às formas de organização coletiva dentro da universidade e do movimento sindical.
A roda de conversa integrou a programação de debates e atividades durante a greve dos(as) técnico-administrativos(as) da UFF. Ao promover espaços de reflexão como esse, o movimento busca fortalecer a consciência política da categoria e reafirmar que o combate às opressões de gênero, ao racismo, à LGTBQIA+fobia e à misoginia faz parte da luta mais ampla da classe trabalhadora por direitos, dignidade e justiça social.




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