Palestra afirma que assédio laboral é ferramenta de gestão contra a organização da classe trabalhadora
- SINTUFF

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Atualizado: há 2 dias

O SINTUFF realizou, na segunda-feira (7), a palestra "O assédio moral/laboral no trabalho como ataque à classe trabalhadora em luta", ministrada pela professora e pesquisadora Terezinha Martins, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). A atividade integrou a programação do Comando Local de Greve e reuniu servidores(as) para discutir o crescimento dos casos de assédio e seus impactos sobre a saúde, as condições de trabalho e a organização coletiva.
Logo no início da exposição, a professora contextualizou o momento vivido pela categoria e criticou o descumprimento, pelo governo federal, do acordo firmado após a greve de 2024, que levou os(as) técnico-administrativos(as) a retomarem a mobilização.
"É simplesmente absurdo. Os técnicos estão em greve para que seja cumprido o acordo anterior da greve. Estamos com a faca no pescoço, como se a categoria não existisse."
Ao apresentar o tema da palestra, a pesquisadora explicou por que prefere utilizar a expressão "assédio laboral" em vez de "assédio moral". Segundo ela, a mudança não é apenas terminológica, mas representa uma compreensão mais ampla do fenômeno.
"O assédio moral enfatiza a humilhação e a perseguição. Isso existe, mas é apenas parte do problema. O assédio laboral inclui também a retirada deliberada das condições de realizar bem o trabalho."
Na avaliação da pesquisadora, limitar o debate ao comportamento de chefias ou às características psicológicas dos envolvidos oculta a dimensão estrutural do problema.
"O assédio laboral é uma tática de gestão. É um funcionamento pensado para lidar com trabalhadores que resistem."
Segundo ela, o objetivo não é apenas constranger individualmente um(a) servidor(a), mas enfraquecer sua atuação profissional, isolar quem denuncia irregularidades e romper os vínculos de solidariedade entre os(as) trabalhadores(as).
Ao longo da palestra, Terezinha afirmou que o assédio recai principalmente sobre três grupos: trabalhadores(as) que atuam na organização e na luta sindical; servidores(as) adoecidos(as); e aqueles(as) que procuram exercer suas funções com rigor técnico e responsabilidade.
"A maioria numérica dos assediados é formada justamente por quem quer realizar bem o seu trabalho."
Para ilustrar esse processo, explicou que uma das estratégias mais recorrentes consiste em retirar recursos, informações ou condições necessárias para a execução das tarefas, produzindo artificialmente erros e, depois, atribuindo a responsabilidade ao(à) trabalhador(a).
"Retiram os meios para você realizar bem o seu trabalho. O resultado aparece como incompetência do trabalhador, quando, na verdade, foram retiradas as condições para que ele pudesse trabalhar."
Na sequência, a professora destacou que o isolamento constitui parte central desse mecanismo. Ao construir a imagem de que determinado(a) servidor(a) é incompetente ou problemático(a), a gestão reduz a solidariedade entre colegas e dificulta a reação coletiva.
"O poder teme duas coisas: que os trabalhadores se juntem e que percebam a própria potência."
Terezinha também alertou para o processo de naturalização do assédio nas relações de trabalho. Segundo ela, a repetição dessas práticas faz com que muitos(as) trabalhadores(as) deixem de reconhecer a violência sofrida ou passem a considerá-la parte da rotina profissional.
"O trabalhador começa a achar que trabalhar é isso mesmo. É assim que o assédio vai sendo naturalizado."
Como formas de enfrentamento, defendeu que cada situação seja registrada detalhadamente, com produção de provas e denúncia ao sindicato, sem abrir mão da atuação jurídica quando necessária. Ressaltou, porém, que nenhuma medida individual substitui a organização coletiva.
"Ninguém é assediado por causa dos seus defeitos. O trabalhador é perseguido justamente pelas qualidades que tem, porque elas passam a ser vistas como um obstáculo por quem está no poder."
Ao encerrar a atividade, a pesquisadora reafirmou que o combate ao assédio depende da solidariedade entre os(as) trabalhadores(as) e da organização sindical permanente.
"Parece que estamos repetindo a mesma luta, mas faz diferença saber que não estamos mais sozinhos. A possibilidade que temos é nos unirmos."
A palestra integrou as atividades de formação política promovidas pelo Comando Local de Greve do SINTUFF e reforçou a importância de compreender o assédio laboral como uma questão coletiva, relacionada às formas de gestão do trabalho e à defesa das condições de trabalho, da saúde dos(as) servidores(as) e da universidade pública.




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