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Onda vermelha toma as ruas do país para derrotar a extrema direita

Foto do escritor: SINTUFF
SINTUFF
há 8 horas
3 min de leitura

Ato lota a orla de Copacabana (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Ato lota a orla de Copacabana (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Uma onda vermelha tomou conta das ruas após o primeiro turno das eleições. De norte a sul do país, multidões participam de manifestações para derrotar Flávio Bolsonaro e a extrema direita no segundo turno. Mais do que atos eleitorais, as mobilizações expressam a disposição de amplos setores da população de defender direitos, conquistas sociais e liberdades democráticas diante da ameaça de retorno do bolsonarismo ao governo federal.


O movimento ganhou força tanto com os grandes atos convocados oficialmente pela campanha de Lula quanto com manifestações espontâneas, organizadas por entidades estudantis, sindicatos, movimentos populares, artistas e coletivos culturais. Um dos exemplos mais expressivos ocorreu no Rio de Janeiro, onde o ato organizado por sambistas lotou os Arcos da Lapa, no dia 12 de outubro. A multiplicação dessas iniciativas revela uma mobilização que ultrapassa as estruturas partidárias e ganha capilaridade em diferentes setores.


No domingo (11), a Avenida Paulista, em São Paulo, foi ocupada por uma multidão que preencheu dez quarteirões, com forte presença da juventude. Na segunda-feira (12), foi a vez de Copacabana, no Rio de Janeiro, registrar outra grande manifestação, também ocupando aproximadamente sete quarteirões da Avenida Atlântica.


Os atos se espalharam por dezenas de cidades. Recife, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Curitiba, Vitória, Manaus, Florianópolis, Aracaju, Campinas, Juiz de Fora e Niterói estiveram entre os municípios que registraram mobilizações. No Rio, milhares de estudantes já haviam percorrido a Avenida Rio Branco, da Candelária à Cinelândia, em 7 de outubro, com participação do SINTUFF.


Direitos sociais e trabalhistas no centro das manifestações


As ruas não estão mobilizadas apenas em torno de nomes nas urnas. Entre as principais bandeiras estão o fim da escala 6x1, a defesa das universidades e da educação pública, a valorização dos serviços e servidores(as) públicos(as), a manutenção e ampliação dos programas sociais e a proteção dos direitos trabalhistas.


A defesa da soberania nacional, das liberdades democráticas e dos direitos das populações historicamente discriminadas também integra as manifestações. Essas reivindicações evidenciam o que está em jogo diante de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, herdeiro de um projeto político marcado por ataques aos trabalhadores, cortes na educação, privatizações e submissão aos interesses de Donald Trump e do imperialismo estadunidense.


Extrema direita reage à força das ruas e das redes


A dimensão das manifestações e o crescimento da mobilização digital já provocam reações do bolsonarismo. Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas recorreram novamente à conhecida cartada do "vandalismo" para tentar desqualificar os atos. Chegaram a divulgar um vídeo antigo, gravado fora do Brasil, associando falsamente suas imagens à manifestação na Paulista, numa tentativa de criminalizar os atos.


No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também se acumulam decisões controversas. Presidida por Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro, a Corte tornou-se palco de disputas sobre a comunicação eleitoral. A suspensão do canal de WhatsApp "Exército do Lula", com milhões de inscritos, posteriormente revertida, e decisões restringindo publicações e impulsionamentos críticos a Flávio Bolsonaro levantam questionamentos sobre a imparcialidade do tribunal. O combate à desinformação não pode ser instrumentalizado para restringir a mobilização política.


A virada passa pela mobilização popular


A força demonstrada nas ruas e redes pode ser decisiva para alterar a correlação de forças no segundo turno. O desafio é alcançar milhões de eleitores(as) que se abstiveram no primeiro turno, disputar os votos destinados às candidaturas derrotadas e dialogar com setores que votaram em Flávio Bolsonaro sem adesão consolidada ao projeto da extrema direita.


Para isso, é fundamental ampliar os atos, a organização nos locais de trabalho, estudo e moradia e a atuação nas redes sociais. A mobilização precisa crescer, incorporando as reivindicações concretas da classe trabalhadora e da juventude. A onda vermelha que percorre o país aponta esse caminho. Transformar essa energia em uma mobilização cada vez maior é tarefa central para impedir o retorno do bolsonarismo ao governo federal.

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