Nas ruas e nas urnas para derrotar a família Bolsonaro e a extrema direita


Milhares de manifestantes ocuparam o Centro do Rio de Janeiro na quarta-feira (7/10), em um ato convocado pelo movimento estudantil contra Flávio Bolsonaro e a extrema direita. A mobilização lotou a Candelária, percorreu a Avenida Rio Branco e terminou com a Cinelândia tomada por manifestantes. O SINTUFF esteve presente, somando-se à defesa do fim da escala 6x1, das liberdades democráticas, da educação pública, dos direitos da classe trabalhadora e da soberania nacional.
A manifestação ocorreu após o primeiro turno das eleições presidenciais, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa o segundo turno em 25 de outubro. A massiva participação demonstrou a energia da juventude para barrar o retorno do bolsonarismo ao governo federal, desta vez sob o comando do filho do ex-presidente.
Educação e servidores públicos diante do risco de novos ataques
Para a educação pública e o funcionalismo, o histórico do governo Jair Bolsonaro (2019-2022) oferece motivos concretos de preocupação. Seu mandato foi marcado por sucessivos cortes e bloqueios orçamentários nas universidades e institutos federais, ataques à autonomia universitária e desvalorização da ciência. Durante os quatro anos, os servidores federais ficaram sem reajuste salarial geral, acumulando perdas inflacionárias. O governo também encaminhou ao Congresso a reforma administrativa (PEC 32/2020), que ameaçava direitos e a estrutura dos serviços públicos.
O programa de Flávio Bolsonaro retoma aspectos centrais dessa orientação. Entre suas propostas estão um novo teto de gastos, redução das despesas públicas, reforma administrativa e ampliação das privatizações. Trata-se de uma agenda que pode aprofundar a precarização dos serviços, comprometer concursos públicos e colocar novas barreiras à valorização das carreiras.
Na educação, Bolsonaro defende a expansão das escolas cívico-militares e mecanismos de financiamento de vagas na rede privada. Essas propostas reforçam preocupações com a transferência de recursos públicos ao setor privado e com a militarização do ensino, em detrimento de uma educação pública, gratuita, democrática e socialmente referenciada.
Democracia e soberania nacional em disputa
Os riscos não se limitam à economia. O bolsonarismo carrega o histórico de ataques às instituições democráticas, disseminação de desinformação e golpismo. Durante a pandemia, o governo Jair Bolsonaro promoveu o negacionismo científico e atrasou a aquisição de vacinas, conforme apontado pela CPI da Pandemia. O resultado foi uma tragédia sanitária na qual inúmeras mortes poderiam ter sido evitadas.
A soberania nacional também está diretamente ameaçada. O alinhamento da família Bolsonaro a Donald Trump não representa apenas uma afinidade ideológica, mas expressa um projeto de submissão do Brasil aos interesses políticos e econômicos dos Estados Unidos. Associada à agenda de privatizações e à entrega das terras raras e de setores estratégicos ao capital internacional, essa orientação ameaça aprofundar a dependência nacional, colocando o patrimônio público, as riquezas naturais e a capacidade científica e tecnológica do país à disposição dos grandes grupos econômicos internacionais. O que está em jogo é a própria capacidade do Brasil de decidir seu futuro sem se curvar às imposições de Washington e aos interesses das multinacionais. A soberania nacional é incompatível com um projeto que subordine os direitos e as necessidades do povo brasileiro aos interesses do imperialismo estadunidense.
A luta contra a extrema direita não fere a independência política do sindicato
O segundo turno coloca em debate visões distintas para o país, mas a defesa dos direitos da classe trabalhadora não se encerra nas urnas. A participação do SINTUFF na manifestação reafirma a importância da unidade entre trabalhadores(as), estudantes e movimentos sociais diante das ameaças da extrema direita, sem abrir mão da independência política sindical e da continuidade das lutas.
O enfrentamento à extrema direita não significa de forma alguma uma adesão ao governo Lula. O SINTUFF mantém sua independência política em relação a qualquer governo e seguirá cobrando o cumprimento dos acordos, a recomposição orçamentária das universidades e a efetivação dos direitos dos servidores(as). A greve nacional de 2026 demonstrou que mesmo conquistas previstas em acordos dependem de organização, pressão e mobilização da categoria para se concretizarem.
A despeito de qual for o resultado final nas urnas, que o sindicato lutará para que seja a reeleição de Lula e consequente derrota de Flavio Bolsonaro, a necessidade de mobilizar a classe trabalhadora e a juventude permanecerá na ordem do dia.




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