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Movimentos e coletivos negros denunciam racismo cometido na C&A



Movimentos e coletivos negros, outros movimentos sociais, mandatos parlamentares, ativistas e intelectuais divulgaram carta cobrando retratação, entre outras exigências, da C&A e do Plaza Shopping de Niterói. O motivo da cobrança foi um ato de perseguição de cunho racista, sofrida e denunciada pelo professor Ubaldino Raimundo Pereira.

Haverá ato público antirracista, nesta sexta-feira (10/11), 18 horas, com caminhada das Barcas até a entrada externa da C&A no shopping center. Confira o teor do texto e suas assinaturas:


"O Racismo é parte da sociedade capitalista, infelizmente! O sistema Racista respaldou um passado escravocrata, ainda não totalmente resolvido em suas marcas, mazelas e desigualdades raciais. O Racismo está impregnado em todas as esferas sociais, políticas, financeiras, culturais e, em singular educacionais! Está presente e é reproduzido em todos os tempos e espaços. É uma tecnologia multifacetada e colonialista utilizada para delimitação de dominação racial e poderes, assentada sob uma falsa ideologia de superioridade da raça branca, sob as demais raças e etnias, e que possuiu mais de cinco séculos de existência, atravessando e financiando sistemas: que matam, torturam, segregam, excluem, impedem direitos, silenciam, apagam memórias e histórias, linguagens e culturais, negam e hierarquizam a humanidade, impedem o exercício da cidadania e da democracia , o direito à vida e ao trabalho digno e bem remunerado, às populações negras, aos negros, negras e negres, aos povos originários e outros, como está acontecendo na Palestina. Importante frisar que o Racismo financia sistemas, pois o capitalismo se mantêm e se auto-sustenta ao escravizar de modo moderno; não garantindo uma Educação pública, gratuita, de qualidade socialmente referenciada e antirracista, com reformas educacionais (BNCC, Reforma do Ensino Médio, etc) que aumentam as múltiplas desigualdades entre ensino público e privado; sequestra, explora, estupra/viola, esfola e oprime nossos corpos e mentes, também como classe trabalhadora. Importante frisar que negros, negras , os povos indígenas e outros povos no mundo, sempre reagiram com muita luta e (re)existências ancestrais e históricas. Como os movimentos negros, indígenas e outros grupos humanos considerados inferiores e marginalizados sócio-político e economicamente.


Neste âmago de Racismo sistêmico brasileiro, contra negros e negras, maioria massiva da classe trabalhadora, que se insere o Racismo que aconteceu na última sexta-feira dia 03/11, em pleno Novembro Negro, com o professor Ubaldino Raimundo Pereira, sociólogo, hastafari, pai, avô e bisavô, professor negro da rede estadual pública de ensino. Trabalhador histórico da luta pela Educação pública, gratuita, laica e de qualidade socialmente referenciada, ele foi seguido como suspeito, dentro da loja C&A, do Plaza Shopping, em Niterói, quando consumia produtos, pagando-os com frutos de seu trabalho como estatutário, servidor público. Ao questionar o segurança branco por que estava sendo seguido persistentemente pela loja, este respondeu que estava realizando um procedimento padrão, orientado para seu trabalho e que ele parecia SUSPEITO. Ao se perceber como vítima de violência racista, tentou se defender da opressão que passou e também foi qualificado como AGRESSIVO , quando o segurança foi interpelado para se explicar com um grupo de professores antirracistas como testemunhas. Na sequência, dois rótulos negativos que nos marcam historicamente, devido ao Racismo. É por recebermos rótulos racistas como estes, manifestação de nossa desumanização, estamos no país em que um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos, na grande maioria das vezes pelo poder armado e militarizado do Estado brasileiro e lideramos o ranking mundial de feminicídio, cujas principais vítimas são mulheres negras. E somos a maioria desempregada no Brasil. Apenas para exemplificar alguns dados atravessados pelo Racismo, entrelaçados a outras categorias, articulando raça, classe e gênero. Isso precisa ter fim!


O Racismo ocorrido com o professor Ubaldino infelizmente não é um fato isolado ocorrido no shopping Plazza, de Niterói: um município marcado pela desigualdade social e racial e pela segregação racial . Já houve denúncias de vários casos de Racismos ao longo dos anos, tanto em abordagens racistas realizadas por seguranças, quanto em relação ao atendimento dado em diversas lojas, cujos lojistas, ou se omitem quanto ao atendimento à clientes negros e negras ou oferecem tratamentos não igualitários racial e socialmente falando. Lembrando aqui o quão desproporcional é a admissão de funcionários negros e negras para o atendimento ao público, limitando esta presença negra, na maioria do shopping, aos profissionais de limpeza e segurança.


Expressamos através desta carta nosso total descontentamento, justa revolta e desagravo coletivo, frente à todos os casos de Racismo ocorridos no Shopping. Manifestamos coletivamente nossa solidariedade ao professor e sociólogo Ubaldino e para com todas as vítimas de Racismo. Afirmamos que Racismo é crime, portanto, passível de implicações criminais, ratificados inclusive pelo Supremo Tribunal Federal e que a vítima realizou boletim de ocorrência junto a polícia militar. E exigimos coletivamente tais medidas urgentes por parte da Administração do Plaza Shopping, junto às chefias de segurança, à gerência da loja C&A e junto aos responsáveis de seus seguranças e outros setores:


- Formação antirracista para os seguranças e as lojistas , sobre a História e Cultura Afro-brasileira, africana e indígena, conforme obrigam as leis 10.639/03 e 11.645/08 na Educação Básica. Com participação dos movimentos negros da cidade, intelectuais da Educação básica, de universidades e institutos públicos da cidade. Fazemos justa memória aqui, a luta histórica de educadoras e educadores, pela efetivação da Educação Antirracista ainda não desenvolvida plenamente em nosso município, fundamental para o combate ao Racismo, o desenvolvimento das relações étnico-raciais e de letramentos raciais para a população de Niterói, fundamental para uma cidade antirracista e mais inclusiva!


- Treinamento junto à todos os seguranças e lojistas para terem sempre uma abordagem/atendimento igualitário racial e socialmente correta e justa, junto aos clientes do Shopping Plaza e da C&A , extensivo às demais lojas e estabelecimentos,


- Retratação pública, em seus meios de comunicação, internos e externos, por parte da administração do Plaza Shopping e da loja C&A , pelo caso de Racismo ocorrido com o professor Ubaldino e para com todas as vítimas de Racismo que aconteceram em seu interior!


- Aumento para 40% no percentual de negros e negras nos atendimento ao público, em suas lojas e departamentos,


- Justiça restaurativa e reparadora , por parte da C&A, por parte do segurança envolvido e a equipe de segurança da loja.


Estas são as exigências postas! Chega de Racismo! Racismo é crime! Vidas Negras Importam!


Não voltaremos para a Senzala!


Plaza e C&A, Racismo é crime!


Assinam a carta:

  • Coletivo Afrodivas de Niterói- Brasileiras & Cia

  • F A - Fórum de Estudos e Ações de Educadores Antirracistas de Niterói

  • Movimento Luta

  • SEPE Central

  • SEPE Niterói

  • PSOL Niterói

  • PSTU

  • Quilombo Raça e Classe

  • Coletivo Reviravolta na Educação

  • Coletivo Rebeldia

  • Mandato da vereadora Benny Briolly

  • Mandato do dep. Estadual Flávio Serafini

  • Mandato do dep. Estadual Professor Josemar

  • Diretora da RM Iza Lúcia Veiga

  • Vice-diretora da RM Lilian Silva

  • Escritora Ana Cruz

  • Mandato do Vereador Túlio Mota

  • Mandato do Vereador Paulo Eduardo Gomes

  • 8 M Niterói"

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