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Greves e lutas têm sido resposta à inflação e à desvalorização do salário


Greve da CSN, em Volta Redonda (RJ)

As imagens de um saque a um supermercado, em Inhaúma, na cidade do Rio de Janeiro, é um retrato da profunda crise econômica que o país se encontra, com o aprofundamento da pobreza e da fome. Os preços continuam em alta e os salários cada dia mais defasados. Muitos dos preços, cuja justificativa era o aumento do dólar, seguiram em alta mesmo no período de valorização do real perante a moeda estadunidense, vide o preço dos combustíveis. No mês de março, ocorreu a maior inflação em um mês desde 1994: 1,67% no IPCA. No total de 12 meses, a inflação oficial acumula 11,3%.

Enquanto a classe trabalhadora e o povo pobre atravessa o calvário da crise econômica, a farra do dinheiro público para pastores ligados ao governo, grandes empresários e militares permanece sem freio. Após ter sido divulgado em 2021 que as forças armadas foram contempladas pela compra de salmão, lagosta, picanha e filé mignon com verbas públicas, agora um novo escândalo envolve a compra de medicamento para impotência sexual, o popular Viagra, e próteses penianas, o que esvaziou R$ 3,5 milhões dos cofres públicos. Dinheiro da educação foi desviado para os interesses de líderes religiosos que apoiam o governo, levando à demissão do Ministro da Educação.


Greves têm sido resposta à crise econômica

Em todo o país, inúmeras lutas e greves se espalham em reação à política de ajuste fiscal de governantes e arrocho salarial por parte das patronais. Os servidores públicos federais permanecem reivindicando 19,99% de reajuste para repor ao menos as perdas inflacionárias dos anos 2019 a 2021. O INSS já ultrapassa um mês de greve. Lideranças da CSN, em Volta Redonda, foram demitidas de forma arbitrária e ilegal devido à greve da fábrica, que não vivia um processo de mobilização e radicalização desse porte desde 1988, quando o exército interviu e assassinou três operários.

Nesse começo do ano, ocorreram inúmeras greves de profissionais da educação em várias cidades e estados, várias delas conquistando importantes reajustes e alcançando o piso nacional da educação básica. Os garis do Rio de Janeiro, com uma greve heroica, conseguiram transformar uma proposta de apenas 2% num reajuste de 8%. A classe trabalhadora protagoniza um aumento das greves pela pauta econômica. É primordial fortalecer, desenvolver, apoiar e unificar as greves. Os servidores públicos federais, de forma unificada, precisam se espelhar nesses exemplos, fortalecendo a campanha salarial unificada.

Governos, patrões e a justiça têm agido de maneira autoritária contra as categorias paralisadas, com ataques ao direito de greve e muita repressão aos ativistas. As centrais sindicais, federações e sindicatos de base precisam fortalecer a solidariedade de classes, intensificando as campanhas contra as perseguições das lideranças sindicais e ativistas que, à frente dos processos de greve, vêm sendo atacadas com demissões, suspensões e até mesmo prisões sem qualquer justificativa plausível.

Há uma expectativa de amplos setores da população em derrotar Bolsonaro nas urnas em outubro e novembro. Contudo, os ataques aos direitos e a crise econômica se aprofundam desde já. Da mesma forma, não há uma garantia que Bolsonaro será necessariamente derrotado no pleito eleitoral, ainda que as pesquisas apontem essa como a hipótese mais provável. Nesse quadro, é necessário desde agora unificar todas as lutas e retomar a unidade nas ruas pelo Fora Bolsonaro e Mourão.

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