Uma greve com vitórias parciais, limitada pela condução dos setores majoritários da FASUBRA
- SINTUFF

- há 16 horas
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A greve nacional dos(as) técnico-administrativos(as) em educação de 2026 representou um dos mais importantes processos de mobilização da categoria desde a criação do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE). Durante quase cinco meses, servidores(as) de 54 universidades federais mantiveram a paralisação pelo cumprimento do Acordo de Greve de 2024 e de reivindicações históricas da carreira. O movimento conquistou avanços importantes, mas também evidenciou os limites da condução política adotada pelos grupos majoritários da direção da FASUBRA.
A greve avançou apesar da maioria da Federação
A construção da greve ocorreu, em grande medida, apesar da resistência dos grupos majoritários da Federação e da não adesão do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE). Em diversas universidades, esses setores retardaram o encaminhamento da paralisação às bases e, em alguns casos, posicionaram-se contra sua deflagração. Foi a pressão das bases que impôs a greve nacionalmente e obrigou a Federação a assumir a condução de um movimento que não partiu de sua maioria.
A mobilização conquistou avanços concretos
O principal resultado da greve foi a publicação do Decreto que regulamentou o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), reivindicação pendente desde o Acordo de Greve de 2024. Entretanto, o governo alterou unilateralmente o texto construído na Comissão Nacional de Supervisão da Carreira (CNSC), impondo critérios mais restritivos que os negociados. Permaneceram sem encaminhamento as 30 horas, o reposicionamento dos(as) aposentados(as), a hora ficta e a racionalização dos cargos, remetidos a grupos de trabalho (GTs). A equiparação dos steps dos(as) médicos(as) e médicos(as) veterinários(as) ao PCCTAE praticamente esteve ausente da condução da greve pela FASUBRA.
Uma condução marcada pelo arrefecimento
Ao longo da greve, a maioria da direção da FASUBRA adotou iniciativas que reduziram o ritmo da mobilização e prepararam seu encerramento. No início de maio, o questionário encaminhado pelo Comando Nacional de Greve foi criticado por diversas entidades por induzir um diagnóstico artificial de desmobilização. Na UFF, a Assembleia Geral rejeitou o formulário e aprovou o envio de uma nota política reafirmando a ampla adesão da categoria à greve.
A preparação para uma saída rebaixada
Nos meses seguintes, outras iniciativas reforçaram essa orientação. O Ofício nº 058/2026 encaminhado ao MEC foi criticado por comunicar um aceite condicionado de propostas ainda distantes das reivindicações centrais. Na UFF, a Assembleia repudiou ainda a inclusão da entidade entre as favoráveis ao aceite das propostas do governo, posição nunca deliberada pela categoria.
Um encerramento aquém da relevância da pauta
O encerramento da greve ocorreu quando permaneciam pendentes mais de uma dezena de pontos do Acordo de Greve de 2024. Embora o RSC tenha sido regulamentado, isso ocorreu em termos mais restritivos do que os negociados, enquanto reivindicações estruturantes da carreira continuavam sem encaminhamento concreto.
Ainda assim, a maioria da direção da FASUBRA encerrou o movimento, substituindo a pressão da greve pela expectativa de negociações nos GTs. A experiência da greve de 2024 demonstrou o risco dessa estratégia: o encerramento antes da implementação do acordo permitiu o descumprimento de diversos compromissos e levou a categoria a construir uma nova greve nacional dois anos depois.
Historicamente, o governo utiliza os GTs para protelar negociações e esvaziar pautas sem produzir soluções concretas. Por isso, o SINTUFF defendeu que qualquer acordo fosse condicionado ao menos à definição de prazos para que os GTs apresentassem resoluções sobre os pontos pendentes.
As lições da greve
A principal lição deixada pelo movimento é que suas conquistas decorreram da força das bases. Foi a mobilização construída nas universidades que obrigou o governo a regulamentar o RSC e a reabrir negociações sobre reivindicações paralisadas. Ao mesmo tempo, a greve evidenciou os limites de uma condução nacional que, da construção ao encerramento, atuou para conter, arrefecer e abreviar a mobilização, produzindo um desfecho aquém das possibilidades abertas pela disposição de luta da categoria.




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