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  • Foto do escritorSINTUFF

Reitor falta audiência sobre orçamento e mostra descaso com luta por recomposição

Atualizado: 21 de jun.

A Audiência Pública convocada pela reitoria para debater a crise orçamentária da UFF ficou marcada pelo não comparecimento do reitor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega. Nem mesmo o vice-reitor Fabio Passos compareceu. O evento, que foi convocado após reivindicação do movimento grevista dos três segmentos da UFF, estava programado para a tarde desta terça-feira (18), no Auditório da Faculdade de Economia. Na ausência do reitor e do vice-reitor, a mesa foi formada pelo pró-reitor de orçamento, Júlio Cesar Andrade, e por outros(as) três representantes da Pró-Reitoria de Planejamento (PROPLAN). Um fato negativo e estarrecedor foi a presença de seguranças portando armas de fogo no espaço da audiência, conforme registro feito pelo coordenador do SINTUFF, Wagner Peres Braga (o vídeo encontra-se no final da matéria).

 

A ausência de Antonio Claudio, sem qualquer aviso prévio, causou descontentamento, frustração e protestos. Diversos estudantes se deslocaram de outros municípios para participar da atividade e contavam com a presença do gestor máximo da universidade. O fato da TV Universitária da UFF (UNITEVÊ) não montar estrutura para transmitir ao vivo a Audiência reforçou que a reitoria não deu importância à reunião. Na semana anterior, houve reunião do presidente Lula com os reitores de instituições federais, em Brasília(DF), e havia expectativa do plenário em ouvir as considerações do reitor Antonio Claudio sobre o encontro.

 

Greve arranca orçamento do governo, apesar de valores ainda serem insuficientes

 

Na reunião do presidente Lula com os reitores ficou evidente que a recomposição orçamentária parcial, na faixa de R$ 747 milhões, e o anúncio de R$ 5,5 bilhões do Novo PAC para universidades e hospitais universitários foram uma resposta do governo diante da visibilidade, repercussão e apoio da opinião pública à greve da educação federal. O eixo principal da fala de Lula no encontro foi a greve, quando o presidente e o ministro da Educação fizeram apelos insistentes e acintosos pelo encerramento do movimento paredista.

 

Diante do resultado obtido pela greve e sua pauta de reestruturação orçamentária da UFF, o reitor deveria ter comparecido a audiência e agradecido pela pressão política exercida pelos movimentos grevistas, que foi capaz de arrancar mais verbas para a universidade. Infelizmente a reitoria da UFF é ausente de qualquer agenda de mobilização por esta pauta. O reitor prioriza agradar sua base de sustentação, cuja visão política estreita tem por foco atacar a greve e até mesmo flertar com a sua criminalização, como ocorreu na aprovação de desnecessária e controversa moção no Conselho Universitário (CUV), cujo teor tenta igualar ações da greve a atos de “violência política”.

 

Estudantes ocupam reitoria em protesto

 

Em protesto devido à ausência do reitor, os(as) estudantes caminharam até o prédio da Reitoria da UFF, em Icaraí, onde houve ocupação do prédio pelo movimento estudantil. Com truculência, seguranças tentaram obstruir a entrada da comunidade universitária no edifício público. O Diretório Central dos Estudantes Fernando Santa Cruz (DCE-UFF) postou relatos e vídeos, com empurrões bruscos, cabelos arrancados e marcas no corpo dos(as) estudantes. Segundo o DCE-UFF, “houve tentativas de estrangulamento, estudantes receberam socos e tiveram cabelos puxados até serem arrancados da cabeça”.

 

Ocupações estudantis são comuns em universidades pelo Brasil e no mundo, tratam-se de ações legítimas, democráticas e de eficiência comprovada para o acolhimento de reivindicações. É inaceitável que a reitoria da UFF, com uma mentalidade provinciana, trate desta forma o movimento estudantil e sua mobilização política. Ironicamente, poucos dias após a base de apoio do reitor aprovar uma moção supostamente contra a “violência política”, a gestão ordena atos de repressão a estudantes por protestarem democraticamente no espaço PÚBLICO da universidade.



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