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IX CONSINTUFF: Tese Combate Sindical

Atualizado: 28 de nov. de 2022

Independência política frente ao governo Lula/Alckmin e lutar por salario, verbas para educação e nossa carreira

O país vive um período de transição entre governos. Jair Bolsonaro (PL) foi derrotado nas urnas e assumirá um novo governo da frente ampla, liderado por Lula e Alckmin. A saída de Bolsonaro se dá somente após as eleições, apesar dos inúmeros crimes de responsabilidade, escândalos de corrupção, política genocida para a pandemia, da fome, desemprego, arrocho salarial e a defesa de um golpe militar ditatorial, razões mais que suficientes para que houvesse uma interrupção de seu governo durante o mandato.

A queda do Bolsonaro deu nas urnas mas foi resultado de quatro anos de mobilizações e denúncias, do tsunami da educação, das manifestações de rua durante a pandemia, por vacina, por emprego, por auxílio, das lutas antirracistas, feministas, LGBTQIA+, indígenas, entre outras. Muitas dessas mobilizações foram adiante apesar de desmotivadas pelas maiores centrais sindicais (CUT e CTB) e pelos maiores partidos de oposição (PT e PCdoB). Infelizmente, a política de tentar restringir a luta contra o governo aos marcos institucionais foi empecilho à possibilidade de nos livrar de um governo genocida antes. A permanência de Bolsonaro por quatro anos provocou graves prejuízos ao país, à classe trabalhadora, ao povo pobre, à população negra, às mulheres, às LGBTQIA+, aos povos indígenas.

O SINTUFF ao longo dos últimos anos esteve engajado na denúncia junto à base contra esse governo e nas manifestações de rua pelo Fora Bolsonaro, assim como se somou em atividades de campanha eleitoral pelo fim desse governo, chamando voto em Lula. Comemoramos a derrota de Bolsonaro, e denunciamos o uso ostensivo e ilegal da máquina pública para a reeleição, do uso de órgãos de repressão para reduzir o comparecimento às urnas, da coação patronal nas empresas, da compra de votos com o orçamento secreto, e das mentiras sobre o Auxílio Brasil e o salário mínimo. O voto contra Bolsonaro foi uma rejeição às políticas de arrocho salarial, às privatizações, ao negacionismo e ao autoritarismo.


A conciliação de classes com os patrões jamais beneficiou a classe trabalhadora

Após o nefasto governo da extrema direita, existem expectativas de setores populares na Frente Ampla e sobre como vão governar. Mas a aliança de Lula e do PT com partidos burgueses tem por projeto realizar um governo com e para a burguesia e as multinacionais, a serviço dos empresários e banqueiros e subserviente aos ditames da Casa Branca e da União Europeia. A esquerda, os sindicatos e os movimentos sociais não podem depositar apoio ao governo e devem se manter independentes, chamando a classe trabalhadora e os setores populares a lutar por suas reivindicações.

As movimentações na transição do futuro governo denotam uma política de pacto que envolve até partidos ou parlamentares que sustentam o governo Bolsonaro. Partidos esses que votaram a favor das contrarreformas da previdência e pela privatização da Eletrobras e dos Correios. Isso é preocupante, porque essa conciliação de classes ocasionará ataques à classe trabalhadora e reabilitará setores que hoje são parte do governo Bolsonaro, ao invés de serem responsabilizados pela situação de caos que vive o país. Parte da base de apoio de Bolsonaro é recebida como aliada em uma falsa lógica de que isso garantirá a estabilidade política. Lula governará aliado a Alckmin (ex-PSDB), Kassab (PSD), Katia Abreu (PP) e pactua pela governabilidade com Arthur Lira (PP), os partidos do Centrão e setores do grande empresariado e do sistema financeiro. Desse modo, uma adesão dos movimentos sociais ao novo governo acarretará em cooptação das lideranças e mais retirada de direitos.

Com essa pactuação não será aplicado nenhum programa de mudanças concretas. A política conciliatória acarretará decepção e abrirá espaço para a extrema-direita de forma oportunista se localizar na oposição, aproveitando a crise que deve resultar a rendição do governo aos interesses do grande empresariado, do agronegócio e dos banqueiros.

É fundamental que o movimento sindical, o movimento estudantil e os movimentos sociais tenham independência política e conduzam as reivindicações populares sem blindagem ao novo governo e sem desmonte chapa branca das lutas. Somente com a necessária independência política e unidade para as mobilizações teremos condições e correlação de forças para reivindicar nossas pautas operárias e populares. Defendemos que o SINTUFF e a FASUBRA sejam independentes do novo governo e organizem as lutas por salário, mais verbas para os serviços públicos e as universidades. Como propostas para a mobilização emergencial da classe trabalhadora, da juventude e setores populares apresentamos:

 

1 - Bolsa família de um salário mínimo! Taxação dos bilionários, dos lucros das grandes empresas e não pagar a dívida aos banqueiros para investir nas áreas sociais, nos serviços públicos e na educação! Plano de serviços populares para zerar o desemprego! Aumento do salário mínimo! Reposição das perdas salariais e redução da jornada de trabalho sem redução dos salários!

2 - Pelo fim do orçamento secreto e do sigilo de 100 anos! Revogar as reformas da previdência, trabalhista, teto de gastos, reforma do ensino médio e LRF! Exonerar os reitores interventores e os militares das estatais! Reestatizar a Eletrobras e empresas privatizadas sob controle da classe trabalhadora! Revogar a EBSERH!

3 - Punir a extrema direita genocida e golpista! Julgar e condenar Bolsonaro, seus ministros e parlamentares pelos crimes cometidos na pandemia, no governo e eleições! Prisão e confisco dos bens da deputada Zambelli, da cúpula da PRF, das PMs e do Exército envolvidas nas operações contra o voto e bloqueios! Fim das chacinas contra o povo negro! Fim dos assassinatos no campo e terras indígenas! Fim da PM e da PRF!

4 - Fim dos feminicídios! Aborto legal, seguro e gratuito garantido pelo SUS! Salário igual para trabalho igual! Emprego e renda para LGBTQIA+! Cota para pessoas trans em concursos e universidades! Respeito à utilização do nome social!

 

Enfrentar, julgar e punir a extrema direita golpista

Além de repudiar essa extrema direita com seus tentáculos nas polícias e Forças Armadas, precisamos enfrentá-los nas ruas, exigindo a investigação e punição dos criminosos bolsonaristas envolvidos nas ações eleitorais e pós-eleitorais.

Meses após criminosos da Polícia Rodoviária Federal (PRF) assassinarem um homem negro asfixiado, essa instituição comandou uma operação no Nordeste para impedir que eleitores de Lula chegassem aos locais de votação. O diretor-geral da PRF foi indicado ao cargo por Flávio Bolsonaro e obviamente a ação criminosa e antidemocrática no Nordeste tem a mão da cúpula bolsonarista.

Logo após o segundo turno, centenas de rodovias foram bloqueadas por bolsonaristas. Um setor de caminhoneiros, financiados por empresários, encabeçaram as ações. Revindicavam o não reconhecimento do resultado eleitoral e que Bolsonaro e as Forças Armadas liderassem um golpe de estado. Para esses fins, contaram com a conivência e o apoio de parte da PRF e das PMs. Apesar da derrota eleitoral, o neofascismo brasileiro segue tendo uma capilaridade em setores de massas, além de apoio multimilionário de uma parcela do empresariado.

Após os bloqueios de estrada, bolsonaristas se concentraram em frente a quarteis do Exército pedindo intervenção militar e a prisão de Lula e Alexandre de Moraes. Depositavam expectativas em uma suposta “auditoria” que as Forças Armadas fariam nas urnas eletrônicas. Mesmo após a “investigação” dos militares, nada conseguiram provar, obviamente.

É fundamental que não haja pacto ou conciliação que absolva ou blinde os golpistas. É preciso defender punição a Bolsonaro e os seus ministros e parlamentares bolsonaristas, como a deputada Carla Zambelli, que ameaçou matar um militante negro em plenas ruas de São Paulo, pelos inúmeros crimes cometidos nesses últimos quatro anos. Exigimos da CUT, CTB, PT e PCdoB atos e mobilizações contra as ações golpistas que os bolsonaristas realizam nas estradas e em frente aos quarteis. Não podemos dar trégua à extrema direita, pois manter a impunidade sobre esses setores fortalecerá o bolsonarismo e toda a sua política de autoritarismo, fome e morte.

 

Campanha salarial

Nossa categoria amarga um duro e longo congelamento salarial. O governo Bolsonaro sempre tentou acabar com os serviços públicos e jamais atendeu nossas reivindicações. Nossa tarefa perante o novo governo é protocolar nossa pauta, nos organizar em cada universidade e mobilizar pela reposição de perdas salariais, exigindo reajuste, avanços no plano de carreira, além de temas importantes como a revogação da EBSERH e a garantia de 30 horas para toda a categoria.

O orçamento atual não prevê reajuste salarial e temos de reverter isso com mobilização pois dinheiro existe. Basta interromper o pagamento da ilegítima dívida aos banqueiros, cobrar as empresas sonegadoras e taxar os bilionários. Por outro lado, se a PEC 32, uma das propostas de reforma administrativa, está caminhando para ser engavetada, não podemos “baixar a guarda” pois durante a campanha eleitoral Lula e Alckmin acenaram favoravelmente a essa pauta. E agora mesmo, na transição de governo, Persio Arida, um dos integrantes do GT da área econômica falou abertamente que essa reforma contra o serviço público deve ser realidade.

A FASUBRA e o FONASEFE estão apresentando propostas como o “Reajuste emergencial linear com índice de inflação acumulado no governo Bolsonaro”, arquivamento da PEC 32, “revogação da reforma previdência e do “teto de gastos”. São propostas corretas que devemos defender. Contudo, sabemos que a atual direção da FASUBRA e do FONASEFE não tem como estratégia a independência de nossas entidades, nem a luta e ação direta da classe trabalhadora. Apostam em mesas de “enrolação permanente” e visitas a “parlamentares” que nunca resolvem a nossa pauta. Um exemplo foi a última reunião da FASUBRA com sindicatos de base realizada após o resultado eleitoral. A direção majoritária da FASUBRA, composta pelos grupos que estão na tese Em Defesa da Democracia (CUT e CTB) afirmava que no próximo ano de 2023 não temos como lutar pelo salário ou fazer qualquer mobilização dirigida ao novo governo, para dar condições ao governo Lula “se organizar” pois ele herda uma “herança ruim” e falavam de que teríamos que garantir a “governabilidade”. Essa estratégia é completamente errada e desmobiliza nossa luta por salario e demais pautas. Sem organização e mobilização nunca conseguimos nenhum direito. Foi sempre com protestos e greve que arrancamos negociações de verdade, dobramos a intransigência dos governos e conquistamos nosso salário e reivindicações. Essa deve ser nossa posição na plenária nacional da FASUBRA de dezembro para organizar uma forte campanha salarial nacional em 2023. 


Como o sindicato deve agir perante a reitoria

Na UFF a reitoria continua sua agenda de ataques ao SINTUFF e à categoria. Após o susto na eleição para reitor, quando Antonio Claudio quase não se elege por conta da grande rejeição entre técnicos-administrativos, a reitoria retoma sua política antissindical de multas contra o SINTUFF, cobrando alugueis da antiga sede e da subsede em valores astronômicos e uma multa de mais de 300 mil reais decorrente da luta do sindicato contra a implantação da EBSERH. A reitoria sabe onde o calo aperta e ataca quem lhes incomoda. Sindicato combativo, que não entrega direitos da classe trabalhadora, sempre é atacado pelos governos, seus agentes e os patrões.

A tese Em Defesa da Democracia, (que compõe a atual diretoria do sindicato) tem defendido que a mobilização da categoria, com atos, manifestações, bandeiras, faixas e cartazes, não é o principal. Defendem outro modelo, o mesmo que é expresso na direção majoritária da FASUBRA, da CUT e CTB: um sindicalismo de arranjos e subserviência aos governos, reitores e patrões. Tentam iludir a categoria como se tudo fosse questão de “dialogar”, ter “boas elaborações” e assim conseguir a gentileza do reitor. Uma leitura equivocada e que nos desmobiliza. Esse mesmo discurso faziam os grupos da direção majoritária da UNE (PCdoB e PT) que atrelavam o DCE-UFF à atual reitoria. Acabam de sofrer derrota contundente pela chapa estudantil que o SINTUFF com orgulho apoiou. Agora, em vez da maioria dos conselheiros estudantis serem cooptados pela reitoria, poderemos ter aliados pelas pautas conjuntas dos três segmentos.

O SINTUFF nunca se recusou a negociar e sempre elaborou proposta em nossos fóruns que contemplassem as necessidades da base. O sindicato utiliza todos os mecanismos, jurídicos, legais, parlamentares, audiências, sessões dos conselhos superiores, mas sempre tomando como base nossa organização, luta e consulta e unidade da categoria mobilizada para conquistar nossos direitos.

Sobre reposicionamento, temos a tese da decadência, que permitia engavetar o processo por conta do prazo para questionamento estar vencido. A reitoria ignorou.

Sobre as 30 horas, em assembleia votamos nossa proposta utilizando a autonomia universitária, decretos, leis trabalhistas e o estatuto da universidade para fundamentar a posição aprovada em nossas assembleias e congressos. Utilizamos os exemplos do IFSUL, de Juiz de Fora, propomos uma Comissão do Conselho Universitário para construir uma regulamentação democrática.

Sobre a insalubridade grau máximo durante a pandemia no HUAP argumentamos que o documento emitido pela própria EBSERH reconhecia que todos os servidores estavam sob risco, que havia contaminação cruzada em todo o hospital e a perícia poderia fazer uso desse documento para ampliar esse direito. A reitoria se esquivou de ampliar esse avanço. Sobre todos esses temas pedimos audiências e propomos saídas construídas de forma coletiva. Quem jamais quis negociar foi o reitor.

Sobre o ponto eletrônico, a opção do reitor foi pelo uso da biometria. O SINTUFF também alertou que a decisão judicial sobre esse tema não obrigava a UFF a adotar a biometria. Foi opção do reitor que também nunca quis negociar outro modelo alegando que era obrigado a adotar a biometria. A nossa ação de denúncia provou que era mentira do reitor esse argumento, tanto que hoje existem na UFF outras formas de bater o ponto, mesmo para quem não aderiu ao Plano de Gestão. Pedimos seguidas vezes e cordialmente negociação sobre os valores das multas e a reposta da reitoria tem sido que o SINTUFF é um ente privado, alienando a importância de um sindicato que represente um segmento inteiro da UFF. A reitoria da UFF tem uma prática radicalmente antisindical e antisservidor. E foi por essa postura que esse sindicato fez uma campanha pelo comparecimento massivo da categoria às urnas e pelo voto contra o atual reitor, resultando em uma participação massiva dos técnico-administrativos nas eleições para a reitoria, um quórum nunca antes atingido, que pela primeira vez superou o segmento docente.

A tese Em defesa da Democracia apresenta a acusação de que o SINTUFF supostamente “não negocia”. Com esta afirmação, infelizmente reproduzem as falácias do reitor. O reitor não faz contraproposta para praticamente nada que o SINTUFF apresente. A maior prova que esse reitor é intransigente foi que 70% da categoria votou contra ele, mesmo com o plano de gestão na véspera da eleição.

O reitor é agente da política de desmonte da universidade pública e aplica um projeto de ataques aos servidores.  A reitoria ignora leis e decisões judiciais para prejudicar a categoria. Não aceita se reunir com SINTUFF e não se dispõe a nenhuma concessão ou diálogo. O sindicato se debruça em elaborar propostas sobre nossas pautas e sempre podemos aperfeiçoar argumentos em nossos fóruns democráticos, mas somente nossa mobilização vai garantir nossas reivindicações.  

É preciso inclusive exigir que o CUV volte a ser presencial, para que a comunidade possa participar e pressionar pelas suas pautas. Se não construirmos a mobilização e disputarmos a consciência da comunidade universitária e a opinião pública esse reitor esmagará a categoria, com sua política radicalmente antisservidor. Mobilizados e unificados podemos ter força e barrar esses ataques. Apelamos aos grupos da oposição, que compõem a gestão proporcional do SINTUFF, façam uma reflexão e mudem de postura garantindo com unidade a defesa de nossa entidade perante as falácias e ataques do reitor, porque isso fortalece a luta da categoria.

É necessário que o Congresso, apesar das divergências, aposte na construção de uma pauta comum e de um plano de lutas unificado, que fortaleça as atividades presenciais, para que retomemos o direito às 30 horas para todos, para que a biometria acabe definitivamente, para que o controle de ponto seja feito por um método flexível, para que as chefias não tenham superpoderes sobre os servidores que estão no programa de gestão, para que o reposicionamento dos aposentados seja preservado e as reivindicações dos campi do interior contempladas. Exigindo da FASUBRA que organize a mobilização nacional principalmente por reajuste, avanços na carreira, 30 horas e revogação da EBSERH.


Revogar a EBSERH, uma luta que é preciso travar com independência

A situação de desmonte do HUAP, que se refletiu em 90% do hospital votando contra o atual reitor, só mostra que o SINTUFF estava correto em  travar a luta contra a EBSERH até as últimas consequências. O reitor da UFSC, recentemente, reconheceu que houve piora com a adesão do hospital dessa universidade à EBSERH. Reportagem recente mostra o caos que está no HU da UNIRIO. É uma empresa que está desumanizando os hospitais.

Durante a pandemia, o reitor se recusou a ampliar o grau máximo de insalubridade a todos servidores do HUAP, apesar de ter em mãos um documento técnico da direção do HUAP que poderia embasar uma decisão da perícia nesse sentido. A pressão do SINTUFF com denúncias públicas das mortes e adoecimentos e no CUV obrigou que a reitoria cedesse esse direito para mais da metade dos servidores que estavam na linha de frente, mas centenas de outros ficaram sem esse benefício, trabalhando sob os riscos da Covid. Paralelamente a isso, o sindicato tem batalhado judicialmente em ações individuais para que vários servidores resgatem o direito ao adicional de insalubridade indevidamente retirado ou não assegurado pela universidade.

Na pandemia, servidores do HUAP dos grupos de risco só conseguiram ter suas vidas preservadas por força de uma decisão judicial obtida pelo SINTUFF e da pressão com atos frequentes na porta do HUAP. Graças a essas iniciativas, o HUAP foi um dos hospitais de atendimento à Covid com menor índice de mortalidade de trabalhadores, mesmo com explosões de casos e contaminação cruzada dentro do hospital.

É fundamental a unidade obtida em torno à proposta de revogação da EBSERH por todas as teses que se apresentam no Congresso. Contudo, fortalecer essa luta requer ações unitárias, sem divisionismos, independência perante aos gestores da EBSERH, perante ao governo e uma mobilização articulada de forma nacional. Infelizmente ao contrário do SINTUFF, a FASUBRA, dirigida por CUT e CTB (centrais que compõem a tese Em Defesa da Democracia), nunca demonstrou empenho nessa causa. Essa postura é resultado da falta de independência política da FASUBRA perante os governos do PT, já que a EBSERH foi uma criação de Lula. Recentemente, as vésperas da eleição contra Bolsonaro, o ex-ministro da educação Fernando Haddad (PT) enviou um áudio apelando ao Conselho Universitário da UFRJ que votasse pela adesão à EBSERH. Infelizmente, Haddad ajudou a reitoria daquela universidade a votar a abertura de negociações para a privatização de todo o complexo hospitalar da UFRJ. O passo seguinte foi votar agora mesmo em novembro a privatização de parte do campus da Praia Vermelha da UFRJ. O SINTUFF esteve somando junto ao Movimento Barrar a EBESERH na UFRJ.

SINTUFF é um sindicato presente nas lutas, contra os ataques do governo, da reitoria, em defesa do SUS, pelo Piso Nacional da Enfermagem, por insalubridade grau máximo, por condições de trabalho e EPIs. É esse perfil combativo de sindicato que defendemos.


Basta de divisionismo no HUAP

Todas essas lutas teriam mais força não fosse a postura divisionista das outras chapas (Em Defesa da Democracia/Unidos) dentro do HUAP. Enquanto atacavam a gestão do SINTUFF, essas chapas eram com frequência recebidas pela direção da EBSERH, que sempre se recusou a qualquer negociação com o sindicato. Assim, a EBSERH deslegitima o SINTUFF para facilitar mais ataques à categoria, com a cumplicidade desses setores que várias vezes se comportam como se não fossem do sindicato.

As companheiras da Unidos acusam a direção majoritária de supostamente “invisibilizar” as minorias e suas lutas no HUAP, quando quase sempre se recusam a construir ações conjuntas no hospital, forçando uma atuação paralela ao sindicato e sem deixar explícito que são parte da gestão proporcional do SINTUFF. Valorizamos a presença das camaradas da Unidos para Lutar na base do hospital e temos uma visão da atual conjuntura muito próxima, o que já expressamos em assembleias e na própria reunião de coordenação do sindicato. Concordamos que podemos superar o atraso que a pandemia impôs na eleição das delegacias de base e que esse fórum é central para nossa entidade. De nossa parte podemos atuar em unidade para as lutas, com ações comuns contra os ataques da EBSERH. 

É importante também politizar nossas divergências e debatê-las com seriedade. Por exemplo, as camaradas da UNIDOS acusam o Combate de ser “burocrata” e antidemocrático, num sindicato que é proporcional, onde o tempo de mandato foi reduzido, limitadas as reeleições, onde balancetes e relatórios financeiros são publicados no site mês a mês. Porém, infelizmente no HUAP, as companheiras da Unidos atuam em bloco permanente com a CTB, central sindical que dirige, por exemplo, o Sindicato dos Correios, onde a oposição é proibida até mesmo de falar em Assembleias, no qual para se formar uma chapa para o sindicato é preciso conseguir 90 nomes e onde eles mandam e desmandam em tudo sozinhos. Já na diretoria do SINTUFF, a Unidos tem feito permanente unidade com a CUT, que na cidade de Niterói dirige o Sindicato dos Metalúrgicos, que frauda eleições, não presta contas das finanças e tem reeleições indefinidas. Essas sim são verdadeiras burocracias. Esperamos que as companheiras da Unidos reflitam e apelamos a que revejam essa posição, rompam o bloco com CUT/CTB e atuem em um bloco de esquerda no SINTUFF, tendo em vista que suas posições sobre a conjuntura, modelo de sindicato e a central sindical que defendem (CSP-Conlutas) se afinam muito mais com o Combate. Assim poderemos avançar ainda mais nas lutas da UFF e do HUAP. De nossa parte, agora como antes, seguimos dispostos à unidade dos setores classistas e combativos, pois esse é o caminho para construir uma nova direção para a classe trabalhadora e conseguir uma efetiva unidade do conjunto dos explorados e oprimidos.

 

Assim como em 2008, é a luta que vai manter o reposicionamento

O reitor volta novamente suas baterias contra os aposentados, com o arbitrário e cruel corte do reposicionamento, passando por cima do direito de defesa, ignorando a situação de vida desses servidores e as brechas existentes na lei que permitiriam arquivar esse processo. Essa conquista que corrigiu distorções na carreira se deu em 2008, depois de inúmeros atos no Conselho Universitário, pela pressão política da categoria. Após meses de frequentes recusas da reitoria e do CUV, a pressão teve resultado. Foi uma vitória do sindicato, da mobilização de centenas de aposentados que saíram de suas casas para lutar.

Os companheiros da tese Em Defesa da Democracia tem apresentado uma narrativa irreal que o reposicionamento foi garantido por argumentos técnicos por eles apresentados, desmerecendo a luta da categoria. Os aposentados tem memória e lembram que esses setores estavam na CIS e não deram batalha por essa pauta, assim como afirmavam que aquele processo de luta não teria resultado. A reitoria e os conselheiros quando cederam a essa reivindicação sempre se dirigiram em respostas aos aposentados presentes na luta e ao sindicato, jamais a supostos argumentos brilhantes de militantes iluminados.

Para defender o reposicionamento, a mobilização da categoria permanece necessária, pois os argumentos já temos, tendo em vista que a reitoria poderia aplicar a decadência para arquivar esse processo. Além das ações jurídicas, que tem ajudado a frustar os planos da reitoria nos últimos três anos, é preciso manter a pressão política, para assim como em 2008 sensibilizar a comunidade universitária, denunciar essa situação para fora dos muros da universidade e demonstrar a crueldade da reitoria.

 

Interior

Nas ultimas décadas os campi da UFF se expandiram para diversas localidades fora de sede. Um crescimento que não foi acompanhado de condições dignas para o trabalho e o ensino. Há vários anos o SINTUFF se empenha para organizar, integrar os trabalhadores dos diversos campi, construir as lutas e pautas unitárias, através de reuniões, encontros e cobrando audiências com o reitor.

Devido ao afastamento geográfico da sede e pelo fato dos campi estarem espalhados, a categoria nas unidades do interior é mais vulnerável a ataques, ao cerceamento de seus direitos e ao assédio moral. É preciso avançar em resoluções que amortizem o afastamento e organize a categoria nas unidades do Interior para lutar por suas pautas específicas. Com o retorno das atividades presenciais, precisamos construir um novo Encontro do Interior, eleger as delegacias de base e articulá-las entre si. Cobrar da reitoria que receba o SINTUFF para negociar as reivindicações específicas do Interior e que os benefícios obtidos pelos servidores da UFF sejam estendidos igualmente a todos os campi do Interior.

 

SINTUFF com democracia e transparência

No último Congresso do SINTUFF foi decidido adotar a proporcionalidade qualificada no sindicato. Assim todas as chapas passaram a participar da diretoria do sindicato na proporção de seus votos, compondo a atual gestão. Esse mecanismo democrático deve servir para os diversos setores construírem as lutas do sindicato conjuntamente, apesar das divergências. Infelizmente, o que temos visto por parte das chapas minoritárias é o inverso. Gastam a maior parte do tempo atacando o próprio sindicato e colocam pouca energia no enfrentamento ao governo e ao reitor.

Apesar de terem acesso em tempo real às contas do SINTUFF (algo que não ocorre na FASUBRA e outras entidades que CUT e CTB dirigem) insistem em espalhar desconfianças sem provas sobre as finanças do sindicato. Frequentemente tumultuam as reuniões de diretoria para dificultar que sejam aprovadas resoluções que façam o sindicato funcionar. Seguem semeando essas ilações e distorções no presente congresso, o que prejudica o debate político e confunde a categoria.

Reivindicamos o método transparente de verificação das finanças do sindicato, pelo qual atualmente os/as filiados/as tem acesso através do site do sindicato aos balancetes e podem aprovar ou reprovar as contas em Assembleias de Prestação de Contas. Além disso, o sindicato conta com um Conselho Fiscal, que é eleito junto com a diretoria nas eleições ordinárias do sindicato, que é proporcional, ou seja, todos os setores políticos estão representados e tem acesso aos gastos do sindicato. Portanto, todos estes mecanismos respondem a uma fiscalização democrática e transparente das finanças do sindicato.  


Basta de distorção de números para confundir a categoria

Em seu resumo, a tese Em Democracia afirmou que o SINTUFF gasta mais de 83% de sua arrecadação com pessoal, baseados no balancete de julho de 2022. Um número distorcido e descontextualizado, pois esse “cálculo” soma à folha de pagamento as despesas de contratos de prestação de serviços e uma despesa excepcional com a rescisão de um funcionário. Após os acordos encaminhados com funcionários que manifestaram disposição de serem desligados do sindicato, acordo aos quais a chapa Em Defesa da Democracia se posicionou de forma contrária, o balancete de setembro de 2022 já aponta, por exemplo, gastos abaixo dos 55% da arrecadação com a folha de pagamento. E mesmo quando são incluídas as despesas com prestadores de serviço o gasto total é de 64,5% da arrecadação. Nossa chapa teve uma política de redução de despesas, a qual a oposição trabalhou na direção contrária. Esses números toda a categoria pode conferir no site do SINTUFF, porque diferente de vários outros sindicatos burocráticos, muitos deles da CUT e da CTB, as contas do nosso sindicato são publicadas com amplíssima transparência e controle pelo Conselho Fiscal, do qual a oposição também é parte pela proporcionalidade.

A oposição reclama das finanças, mas tentou impedir todas as medidas que trouxeram cerca de 40 mil reais mensais de economia mensal ao SINTUFF. Além de não propor nada factível para melhorar a vida financeira do sindicato, tentaram dificultar a aprovação de acordos com funcionários e prestadores de serviço que reduziram consideravelmente os gastos mensais, atrasaram a criação de um fundo que trouxe novos recursos e a venda de um automóvel, causando prejuízo ao SINTUFF.

Num período de crise econômica, congelamento de salário e esvaziamento da universidade, que favorece desfiliações (refletindo um quadro nacional do movimento sindical), não atuam para filiar novos servidores. A base quer o sindicato unificado para a luta pelas suas pautas, a despeito das divergências. A prática de discussões acima do tom prejudica o sindicato e por consequência a categoria. É preciso rever esse método, construir unitariamente as lutas e ajudar o SINTUFF a conquistar novas filiações. É democrático criticar a direção majoritária do SINTUFF e batalhar por suas posições, mas isso não deveria ser feito ao preço de prejudicar o funcionamento da entidade, paralisar a diretoria e afastar a categoria do sindicato.



Propostas de Alteração Estatutária
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Assinam:

Alessandra Primo de Moraes

Bernarda Thailania Ferreira Gomes

Carlos Abreu Mendes

Celia Maria da Cruz Procopio

Cirlene Coelho de Mattos Chagas

Danisete Marques Barbosa

Davi Coutinho Maia

Dione da Silva

Donaldo Souza Coutinho

Edmilson Alves da Conceição

Elocy de Oliveira Santana

Ermires Gomes Rosa

Fabio Jorge de Vasconcellos Junior

Fabiola Freitas da Silva Rangel

Fernanda Freitas da Silva Rangel

Francisca de Medeiros Costa

Geisa Meirelles Drummond

Guilhermina Cruz da Silva

Haydee dos Santos Silva

Heloiza Helena Gonçalves Neves

Ivonete da Conceição de Souza

Izilda Lúcia Corrêa Veiga

Jeferson Alves Vieira

Lásaro Neves de Carvalho

Letícia Viegas Zeitoune

Lígia Regina Antunes Martins

Lucyene Almeida de Faria Brito

Luiz Gustavo da Silva Soares

Luiza Francisca Dias

Marcia da Veiga Azeredo

Marco Aurélio Pinto

Maria Conceicao dos Santos

Maria da Graca Pereira de Oliveira

Maria das Graças Garcia e Souza

Maria Izabel Bueno Matta de Andrade

Marlene Fermiana Ribeiro Teixeira

Maura Teresa de Oliveira Souza

Milton dos Santos

Nelly Dutra Rodrigues

Pedro Rosa Cabral

Raimunda da Conceição Carvalho Sousa

Stela Maria de Oliveira Santos

Suani Ribeiro Mello

Valcyara Xavier Lima

Vera Lucia Moreira

Vera Regina Ramos De Oliveira

Vivian Bezerra da Silva

Wagner Peres Braga

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