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  • Foto do escritorSINTUFF

Israel sofre derrota na ONU, mas genocídio só será barrado com sanções internacionais



Por CSP-Conlutas


Pela primeira vez desde o início da guerra genocida iniciada por Israel na Faixa de Gaza e territórios ocupados, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) conseguiu aprovar uma resolução por um cessar-fogo imediato. A resolução foi aprovada com 14 votos favoráveis, nenhum contrário e apenas uma abstenção dos EUA.

 

A trégua valeria durante os dias que restam do Ramadã, período sagrado para os mulçumanos, que acaba no próximo dia 9 de abril.  Até lá, segundo a resolução, seguiriam as negociações para chegar a um acordo permanente para o fim da ofensiva sionista que já matou mais de 32 mil palestinos, sendo mais de 13 crianças, e destruiu quase que toda a infraestrutura do território.

 

A resolução demanda a libertação imediata de reféns e garantia de acesso humanitário à região. A Rússia chegou a apresentar uma emenda propondo que o cessar-fogo fosse permanente, mas a medida foi vetada pelos EUA.

 

Apesar de limitada ao não exigir o cessar-fogo definitivo, a aprovação da resolução foi uma derrota para Israel, mostrando que o governo sionista está cada vez mais isolado. Os Estados Unidos também enfrentam cada vez mais pressão, motivo pelo qual, apesar de seguirem sustentando política, financeira e militarmente o genocídio do povo palestino, acabaram se abstendo da votação, sem vetar a medida.

 

Na sexta-feira, uma resolução apresentada pelos EUA foi vetada pela Rússia e China, outros dois países que têm poder de veto no Conselho. Apesar de o governo Biden tentar parecer que atua para por fim ao extermínio de palestinos, o texto apresentado era dúbio e não determinava o fim das hostilidades de forma imediata, nem cobrava as responsabilidades de Israel.

 

Paralisia e impotência da ONU

 

A resolução aprovada nesta segunda-feira foi a quinta tentativa para aprovar um texto sobre cessar-fogo, em meio às críticas de que o Conselho de Segurança da ONU se mantém paralisado e impotente para barrar o genocídio feito por Israel.

 

“Dois milhões de deslocados, milhares de palestinos mortos e mutilados e uma fome para que o Conselho vote um cessar-fogo imediato”, lamentou o representante da Palestina na ONU, Ryiad Mansour, que afirmou que estão tentando eliminar todo um país. “Desde 1948 até 2024, temos sofrido, temos sobrevivido. Temos ressuscitado somente para morrer uma vez mais. A vida tem que continuar em Gaza e a liberdade tem que prevalecer na Palestina”, destacou.

 

Israel, que há alguns dias criticou o envio de ajuda humanitária para minimizar a fome em Gaza, chamou o texto de “vergonhoso”.

 

Deter o genocídio com ações concretas

 

Apesar dos efeitos simbólicos da aprovação da resolução, se questiona os efeitos práticos de sua aplicação.  Segundo relata o jornalista Jamil Chade, do UOL, o governo americano insistiu que a resolução não é legalmente vinculante, já que o texto não diz que o Conselho "decide" estabelecer um cessar-fogo, mas apenas "demanda".

 

Já para os autores da proposta e para as autoridades palestinas, segundo o jornalista, o argumento da Casa Branca não é válido, e se Israel não cumprir, o Conselho seria convocado para aprovar medidas contra o governo de Benjamin Netanyahu e isso poderia ser feito a partir de sanções ou imposição da força, o que é visto por muitos com ceticismo. Afinal, historicamente, Israel, com apoio dos Estados Unidos e outros países da União Europeia, descumpriu sistematicamente resoluções da ONU que, inclusive, já reconheceram a ocupação ilegal de Israel dos territórios na Palestina.

 

Michael Fakhri, relator da ONU sobre Direito Alimentar, em recente discurso ao falar da catástrofe humanitária em Gaza e da fome sendo utilizada como arma de guerra por Israel para exterminar o povo palestino falou o óbvio. “Imagens da fome em Gaza são insuportáveis. E você não está fazendo nada. Você fala e são palavras adoráveis. Transforme essas palavras em ação. Sanções. Você sabe o que fazer", disse, exemplificando que governos devem suspender o envio de armas e acordos militares com o governo sionista.

 

Em nota, a Federação Árabe Palestina do Brasil declarou que "o cessar-fogo não pode ser mero prelúdio entre uma matança e outra na Palestina" e pediu investigação do genocídio feito por Israel. "Além de um cessar-fogo já, é preciso o fim da ocupação já e a restauração de todos os direitos nacionais, civis e humanitários do povo palestino, que serão concretos apenas com o fim do regime sionista, tal qual tiveram fim seus congêneres, o nazismo na Europa e o Apartheid na África do Sul", afirmam.

 

A CSP-Conlutas continua a defender que o governo Lula rompa imediatamente qualquer relação com Israel. É fundamental cortar laços diplomáticos e acordos comerciais e militares com o regime sionista, com o objetivo de aumentar a pressão internacional. Chega de ser conivente com a morte de milhares de civis palestinos.

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