Assembleia aprova abertura parcial do RU e aguarda resposta da Reitoria em Audiência
- SINTUFF
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A Assembleia de Greve dos(as) técnico-administrativos(as) em educação da UFF, realizada nesta terça-feira (24), aprovou uma resolução que estabelece um modelo de funcionamento parcial do Restaurante Universitário (RU) durante o período de paralisação. A decisão, que aguarda resposta da gestão, expressa uma construção coletiva que articula o direito de greve com o papel social da universidade, especialmente no que diz respeito à permanência estudantil.
A deliberação parte de um ponto político central: o RU não se enquadra no que o direito de greve prevê como serviço essencial. Esse entendimento é reforçado por um dado concreto e recente, o próprio fechamento da unidade pela Reitoria em pleno período letivo para realização de obras, limpeza e reorganização do espaço. Ainda assim, reconhecendo a importância do restaurante para estudantes em situação de vulnerabilidade, a Assembleia avançou em uma proposta que busca mitigar impactos, mas sem atropelar a equipe responsável pelo setor e a decisão soberana da categoria de manter a greve.
Elaborada pela equipe de nutrição e acolhida pela Assembleia por unanimidade, a proposta aprovada organiza o funcionamento em quatro dias de produção semanal. Às segundas-feiras, haverá preparo de quentinhas destinadas exclusivamente à moradia estudantil, com almoço e jantar. De terça a quinta-feira, será mantida a produção de almoço voltado à moradia e jantar aberto à comunidade acadêmica, incluindo os(as) estudantes residentes. Às sextas-feiras, não haverá produção. O início desse funcionamento está previsto para o dia 6 de abril, caso o posicionamento seja aceito pela Reitoria.
A Assembleia também registrou que não será possível iniciar o serviço na semana de 30 de março, em função do adiamento, por parte da Reitoria, da audiência que ocorreria no dia 18. A mudança impactou diretamente o planejamento necessário à organização das atividades do setor.
Proposta construída com diálogo, apesar dos entraves da gestão
A resolução aprovada é resultado de um processo de diálogo que envolveu diferentes segmentos da comunidade universitária. A construção contou com a participação direta da equipe de nutrição, responsável pela operacionalização do serviço, e com o movimento estudantil, representado pelo DCE-UFF. O SINTUFF esteve presente na Assembleia Estudantil realizada na segunda-feira (23), enquanto o DCE também participou da Assembleia da categoria, contribuindo para a convergência de propostas.
Esse acúmulo coletivo foi determinante para viabilizar um formato de funcionamento parcial que responda às demandas mais urgentes dos estudantes. Ao mesmo tempo, a Assembleia avaliou que a condução da Reitoria não contribuiu para o avanço das negociações. O cancelamento da audiência previamente agendada, a tentativa de condicionar o diálogo à realização de uma reunião específica e a pressão pública por parte da gestão criaram obstáculos desnecessários ao processo.
A categoria reafirma que a definição sobre serviços durante a greve deve se dar por meio de negociação política, respeitando os sujeitos envolvidos e sem imposições unilaterais. Nesse sentido, o SINTUFF já encaminhou solicitação de uma nova audiência com a Reitoria, ainda nesta semana. O intuito é convergir nesse único ponto que a gestão considera pendente nas tratativas sobre os serviços a serem mantidos durante a greve. A expectativa é que, a partir desse encontro, seja possível pactuar as condições para implementação da proposta aprovada.
Greve segue com pressão sobre o governo
Além da discussão sobre o RU, a Assembleia contou com informes sobre o cenário nacional da greve e o andamento das negociações com o governo federal. Foram destacados os pontos do Termo de Acordo nº 11/2024 que seguem em descumprimento, entre eles o RSC, a jornada de 30 horas, o reposicionamento na carreira e outros itens estruturantes para a categoria. Após o debate em plenário, a continuidade da greve foi aprovada por unanimidade.
Também foram debatidas e encaminhadas atividades de mobilização ao longo da semana, com o objetivo de intensificar a pressão sobre o governo e ampliar a adesão ao movimento. A avaliação predominante é de que apenas com fortalecimento da greve será possível destravar os pontos pendentes e garantir o cumprimento integral do acordo firmado.
A aprovação da proposta sobre o RU sintetiza esse momento: uma greve que se mantém firme na defesa dos direitos da categoria, sem se furtar ao diálogo com a comunidade universitária e à construção de soluções concretas para os desafios colocados no cotidiano da universidade.
