6º Congresso da CSP-Conlutas marca os vinte anos de fundação da central
- SINTUFF

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O 6º Congresso da CSP-Conlutas foi realizado entre os dias 18 e 21 de abril de 2026, em São Paulo, reunindo delegações de diversas categorias e regiões do país em um momento que combinou balanço político, debate de conjuntura e definição de estratégias para o próximo período. A atividade também marcou os 20 anos da central sindical, reafirmando seu caráter classista e independente diante de governos e patrões.
Ao longo dos quatro dias, o congresso foi estruturado a partir de plenárias que discutiram a conjuntura internacional, nacional, o cenário eleitoral e o plano de lutas. A votação dessas resoluções concentrou parte significativa dos debates, evidenciando tanto convergências quanto diferenças entre as forças políticas que atuam na central.
Conjuntura e independência de classe no centro do debate
Na análise da situação internacional, as intervenções destacaram o aprofundamento da crise do capitalismo, com impactos diretos sobre as condições de vida da classe trabalhadora. A denúncia ao imperialismo estadunidense e ao sionismo de Israel, assim como a defesa da solidariedade aos povos oprimidos, apareceram como pontos recorrentes nas falas.
No cenário nacional, o debate se concentrou na caracterização do governo Lula/Alckmin e nas formas de enfrentamento à extrema direita. A posição que prevaleceu nas resoluções aprovadas reafirma que o combate ao bolsonarismo e às expressões da extrema direita é uma tarefa central, mas que não pode ser conduzida à custa da independência política da classe trabalhadora. Nesse sentido, ganhou peso a avaliação de que o governo federal, ao manter compromissos com o capital e dar continuidade a políticas que atingem direitos, não se coloca como alternativa para as demandas da classe, exigindo uma postura de enfrentamento que não se subordine nem se dilua na lógica da conciliação.
A defesa da independência de classe apareceu como eixo estruturante das discussões, especialmente no que diz respeito à intervenção no processo eleitoral. O entendimento majoritário aponta para a necessidade de atuação política sem que a luta dos(as) trabalhadores(as) seja condicionada ao calendário institucional.
Plano de lutas
O debate sobre o plano de lutas reforçou a centralidade da ação direta da classe trabalhadora. Greves, mobilizações e a organização nos locais de trabalho foram apontadas como instrumentos estratégicos para enfrentar os ataques de governos e do capital.
Ainda que tenham surgido diferenças pontuais sobre táticas e caracterizações, houve convergência em torno da necessidade de fortalecer a organização de base e ampliar a capacidade de mobilização da central nos próximos períodos.
Balanço dos 20 anos
O balanço político da trajetória da CSP-Conlutas, debatido no terceiro dia, foi marcado por um duplo movimento. De um lado, o reconhecimento de uma trajetória construída com base na independência de classe, mantendo atuação nas lutas mesmo em um cenário adverso para a organização dos(as) trabalhadores(as). De outro, a apresentação de críticas e avaliações sobre limites enfrentados ao longo desses 20 anos.
Entre os elementos destacados no balanço aprovado, aparece a caracterização de um período recente sem ascenso significativo da classe trabalhadora, marcado pelo avanço da extrema direita e pela política de conciliação de classes. Ainda assim, a avaliação predominante é de que a central manteve sua atuação e não recuou diante das pressões.
Posições divergentes apontaram a necessidade de mudanças na dinâmica interna, maior aproximação com a base e ampliação da inserção em setores estratégicos, como trabalhadores(as) de aplicativos e terceirizados(as). Também foram mencionadas críticas a avaliações políticas feitas em momentos anteriores.
Mesmo com essas diferenças, o Congresso consolidou a percepção de que a experiência acumulada ao longo dessas duas décadas constitui um ponto de apoio para os desafios futuros.
Participação do SINTUFF e intervenção no debate

O SINTUFF participou do congresso com uma delegação de 9 delegados(as), além dos(as) respectivos(as) suplentes, contribuindo ativamente nos debates.
Na plenária final, o coordenador geral do sindicato, Wagner Peres, defendeu uma proposta de resolução sobre o plano de lutas que buscava fortalecer a unidade entre a greve dos(as) técnico-administrativos(as) das universidades federais e outras mobilizações em curso no país. A proposta foi minoritária na votação, mas expressou a preocupação com a articulação concreta entre diferentes processos de luta.
Também esteve presente no debate Lucyene Almeida, ex-coordenadora geral do SINTUFF, que participou da defesa de uma das chapas inscritas no congresso.
A participação da delegação reforçou a inserção do sindicato nos espaços nacionais de organização da classe trabalhadora, em um momento em que a greve dos(as) técnico-administrativos(as) em educação se articula com um cenário mais amplo de mobilizações no país.
Desafios colocados para o próximo período
O 6º Congresso da CSP-Conlutas encerra apontando para um cenário de intensificação dos conflitos sociais, no qual a organização e a mobilização direta da classe trabalhadora se colocam como elementos decisivos.
A reafirmação da independência de classe, combinada com o desafio de ampliar a base social e a capacidade de intervenção da central, aparece como uma das principais tarefas definidas para o próximo período.




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