Roberto Salles e Luciana Freitas vencem eleição para Reitoria da UFF
- SINTUFF
- 28 de mai.
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A apuração oficial dos votos confirmou a vitória da Chapa 2 - "UFF Viva", formada por Roberto Salles, candidato a reitor, e Luciana Freitas, candidata a vice-reitora, na consulta eleitoral para a Reitoria da Universidade Federal Fluminense. A chapa alcançou 54,66% da média dos votos dos três segmentos da comunidade universitária, enquanto a Chapa 1 - "UFF que Transforma" obteve 45,34%.
O resultado encerra um ciclo de 12 anos de gestões do grupo político que dirige atualmente a universidade, iniciado com Sidney Mello e seguido pelos dois mandatos de Antonio Claudio e Fábio Passos.
Peso decisivo dos técnico-administrativos
Um dos elementos centrais do segundo turno foi o aumento do comparecimento do segmento técnico-administrativo. O SINTUFF intensificou a campanha para que os(as) servidores(as) participassem da consulta eleitoral, sem manifestar apoio ou veto a qualquer chapa.
A orientação pelo comparecimento teve como objetivo fortalecer as reivindicações da categoria, demonstrar seu peso político e pressionar todas as candidaturas a assumirem compromissos com as pautas dos(as) técnico-administrativos(as). Quanto maior a participação dos(as) servidores(as), maior a capacidade de influenciar os rumos da universidade e impor limites a ataques contra direitos, condições de trabalho e organização sindical.
Em assembleia, o SINTUFF aprovou uma carta programática, entregue às candidaturas, com reivindicações sobre jornada de trabalho, Programa de Gestão e Desempenho (PGD), Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), combate ao assédio moral, reposicionamento dos(as) aposentados(as), condições de trabalho, insalubridade e democracia universitária. A entidade também realizou entrevistas com as chapas em igualdade de condições, com as mesmas regras, tempo e perguntas.
Rejeição acumulada à atual gestão
A vitória da Chapa 2 também confirma uma tendência observada em 2018 e 2022: a forte rejeição do segmento técnico-administrativo às gestões vinculadas ao grupo político que dirige a Reitoria atualmente, representado pela Chapa 1 - "UFF que Transforma", formada por Fábio Passos e Claudete Cardoso.
Essa rejeição foi construída ao longo de uma sequência de ataques, perdas de direitos e medidas administrativas que atingiram diretamente a categoria. Entre elas, destacam-se o fim das 30 horas, após mais de 35 anos de implantação para o conjunto da universidade, a imposição do ponto biométrico, a ofensiva contra o reposicionamento dos(as) aposentados(as), a expulsão do SINTUFF de sua antiga sede no Valonguinho e a aplicação de multas e cobranças judiciais severas contra o sindicato.
Em 2022, Antonio Claudio e Fábio Passos foram reeleitos por margem estreita, com 50,86% contra 49,14% no segundo turno. Naquele processo, o voto da categoria quase impediu a reeleição do reitor Antonio Claudio. Após a eleição, houve uma redução no ritmo dos ataques e as audiências com o sindicato voltaram a ser realizadas, demonstrando que a participação dos(as) técnico-administrativos(as) nas urnas funciona como sinal de alerta para qualquer gestão da UFF.
Apesar dos benefícios parciais trazidos pelo PGD, a categoria não apagou a memória coletiva de outras medidas adotadas pela atual Reitoria. A falta de combate efetivo ao assédio moral, as desigualdades no acesso ao Programa de Gestão, a renovação antidemocrática do contrato com a EBSERH por 20 anos, a manutenção dos conselhos superiores em formato estritamente virtual e as práticas recorrentes de baixa transparência continuaram pesando na avaliação dos(as) servidores(as).
Durante a campanha, esse desgaste ganhou novo elemento com a ausência da Chapa 1 no debate organizado por ADUFF, SINTUFF e DCE-UFF e na entrevista promovida pelo sindicato. As justificativas apresentadas para não participar desses espaços foram recebidas como sinais de menosprezo em relação às entidades e de pouco compromisso com o debate democrático diante da comunidade universitária.
Responsabilidade da futura gestão
O resultado da eleição carrega um recado político claro. A categoria técnico-administrativa demonstrou capacidade de mobilização, ampliou sua participação no segundo turno e teve papel decisivo na definição do resultado final.
Esse protagonismo aumenta a responsabilidade de Roberto Salles e Luciana Freitas diante das pautas apresentadas pelo segmento técnico-administrativo. A vitória da chapa de preferência da categoria não encerra automaticamente os conflitos existentes na universidade, nem substitui a necessidade de organização dos(as) servidores(as) técnico-administrativos(as). Ao contrário, abre um novo momento de cobrança, negociação e acompanhamento dos compromissos assumidos.
O SINTUFF seguirá atuando com independência, defendendo as reivindicações aprovadas pela categoria e exigindo que a futura Reitoria estabeleça uma relação democrática com os(as) técnico-administrativos(as) e demais segmentos, com respeito aos direitos, às condições de trabalho, à representação sindical e à participação efetiva da comunidade universitária nas decisões da UFF.
Arbitrariedades não podem se repetir
A consulta também deixa um alerta sobre a condução do processo eleitoral. A Comissão Especial foi formada sem a participação plural das entidades representativas, apesar da reivindicação do SINTUFF, que havia sido aprovada no Conselho Universitário (CUV). A redução do período de votação de três para dois dias dificultou a ampliação do comparecimento, especialmente entre trabalhadores(as) que enfrentam rotinas remotas ou híbridas, escalas e diferentes jornadas nos campi. Durante a apuração do primeiro turno, a decisão de impedir a imprensa do SINTUFF de fazer cobertura fotográfica agravou esse quadro, por restringir o acompanhamento público de uma etapa central do processo.
A universidade precisa garantir que as próximas consultas à Reitoria sejam organizadas com composição plural, critérios transparentes, calendário adequado, ampla transparência e apuração dos votos em ambiente aberto ao público. Um processo eleitoral universitário não pode ser conduzido de forma unilateral, fechada e com métodos de imposição.
