Estelionato eleitoral e falta de palavra são as marcas da nova reitoria

21/01/2019

 

 

sofisma

(substantivo masculino)

 

LÓGICA. argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa.

 

POR EXTENSÃO. qualquer argumentação capciosa, concebida com a intenção de induzir em erro, o que supõe má-fé por parte daquele que a apresenta; cavilação.

 

As definições para “sofisma” expressam bem as narrativas utilizadas pelo reitor para os recentes ataques que promoveu contra os servidores da UFF. Quebra do acordo das 30 horas, ofensiva contra o reposicionamentos dos aposentados, corte de ponto dos servidores, não realização de concurso público para o Hospital Universitário Antonio Pedro (HUAP), todos esses posicionamentos foram opções políticas da reitoria. Contudo, o reitor Antonio Claudio da Nóbrega busca se esquivar do ônus político de suas decisões, sempre terceirizando a responsabilidade por elas.

Para tanto utiliza “argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade”. Sobre 30 horas diz quebrar o acordo por imposição do Tribunal de Contas da União (TCU), que questionou a portaria emitida em 2016. Contudo, ignorou que havia prazo para a reitoria apresentar defesa e não fez, assim como omitiu que a regulamentação aprovada por consenso pela Comissão Paritária foi finalizada em 2018. Em resumo, o TCU nunca versou sobre o texto da comissão pelo simples fato que ela é de data posterior e jamais esteve vigente. A argumentação do reitor “embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa”.

O reitor repete a lógica das “fake news”, expediente usado por Bolsonaro e seus aliados. Promove desinformação e recortes da realidade para dificultar que a opinião pública venha a discernir o que é verdade, com o mesmo objetivo do governo: atacar direitos. Ao se distanciar dos fóruns unitários pela democracia, o reitor transparece sua intenção de pactuar com o governo e ser um aplicador da ofensiva de Bolsonaro contra a universidade pública, os direitos sociais e os serviços públicos.

 

Falta de palavra, uma marca da reitoria

 

radicalmente

(advérbio)

1. de modo radical; completamente.

2. de maneira profunda, significante; profundamente.

 

Para obter 986 votos de técnico-administrativos, o reitor adotou como mote central que defenderia “radicalmente” as 30 horas. Durante a campanha, Antonio Claudio jamais revelou que descumpriria o acordo em caso de questionamento do TCU. Se assim fizesse, certamente perderia os votos necessários para vencer a eleição por margem apertada. Os servidores que votaram em Antonio Claudio acreditaram que ele defenderia as 30 horas “de modo radical; completamente”, “de maneira profunda, significante; profundamente”. Após a eleição, a reitoria fez o inverso. Adiou continuamente a publicação do texto da comissão paritária e quebrou o acordo logo que surgiu um documento do TCU.

Derrubando a retórica do reitor, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSUL) obteve na Justiça, com posterior aval do TCU, o direito à jornada de 30 horas ao conjunto dos servidores dos 14 campi desta instituição, aos moldes do que defende o SINTUFF. O reitor se resume a afirmar que são situações distintas, mas não explica qual a diferença que leva o IFSUL a poder garantir 30 horas a todos e a UFF não. Na prática, o reitor inventa que a lei deve ser interpretada de maneiras distintas para as duas instituições, uma aberração.

 

autorização

(substantivo feminino)

 

JURÍDICO (TERMO). poder ou permissão concedida a um indivíduo para que faça algo ou pratique determinado ato jurídico.

 

Em audiência, Antonio Claudio verbalizou que não cortaria ponto. Pelas costas, ingressou na Justiça pedindo desconto dos dias parados. Conseguiu uma liminar que obrigava o sindicato a garantir o funcionamento de 70% dos serviços essenciais.

Segundo intepretação da procuradoria, a sentença da liminar concedia “autorização” à reitoria para cortar ponto. O reitor logo deu outro significado à palavra, dizendo que se tratava de uma “obrigação”, uma “ordem” judicial. Autorização é “poder ou permissão concedida a um indivíduo para que faça algo ou pratique determinado ato jurídico”. Ter permissão ou poder para fazer algo não é o mesmo que ser obrigado. Trata-se, portanto, de “argumentação capciosa, concebida com a intenção de induzir em erro”. Mais uma vez sofisma.

Em outubro, o reitor enviou ofício ao sindicato listando, em sua visão, quais seriam os serviços essenciais a serem mantidos durante a greve. Em dezembro, de posse da liminar, elaborou nova lista inserindo outros serviços. Em resumo, nada do que o atual reitor diz, escreve e assina é digno de confiança.

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