Grande debate à reitoria reúne três chapas e evidencia pauta da democracia universitária
- SINTUFF

- 30 de abr.
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Atualizado: 4 de mai.

O debate entre as chapas que concorrem à reitoria da Universidade Federal Fluminense (UFF), realizado no Campus Gragoatá, na quarta-feira (29), e organizado por ADUFF, SINTUFF e DCE, foi marcado por críticas à condução institucional recente da universidade, com destaque para o processo eleitoral, o funcionamento dos conselhos superiores e a renovação do contrato com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).
A atividade reuniu representantes da Chapa 2 - “UFF Viva”, com Roberto de Souza Salles (reitor) e Luciana Maria Almeida de Freitas (vice); da Chapa 3 - “ParticipAÇÃO”, com Helena Carla Castro Cardoso de Almeida (reitora) e Tathianna Prado Dawes (vice); e da Chapa 4 - “UFF que queremos!”, com José Rodrigues de Farias Filho (reitor) e Alexsandra dos Santos Oliveira (vice).
A Chapa 1, embora convidada e informada de todo o processo de construção do debate, optou por não participar. Composta por Fabio Barboza Passos (reitor) e Claudete Aparecida Araújo Cardoso (vice-reitora), a Chapa 1 informou previamente que participaria apenas dos debates considerados oficiais pela comissão eleitoral, um posicionamento que, na avaliação do SINTUFF, desmerece e desconsidera a relevância de um debate promovido pelas entidades representativas dos três segmentos.
Processo eleitoral e papel da Comissão Eleitoral
A condução do processo eleitoral apareceu como um dos pontos de tensão, especialmente diante da definição de quais debates são reconhecidos como oficiais.
Pela Chapa 2, Luciana Maria Almeida de Freitas destacou o papel das entidades na promoção do debate público. “Essas entidades têm toda a legitimidade para organizar essa atividade de hoje.”
Roberto de Souza Salles (Chapa 2) também fez referência direta à ausência de uma das candidaturas. “Eu gostaria de lamentar a ausência do candidato da chapa um, justamente num debate promovido pelas entidades que representam os docentes, os técnicos administrativos e estudantes.”
Pela Chapa 4, a candidata a vice-reitora Alexsandra dos Santos Oliveira ressaltou o sentido político da participação no debate organizado pelas entidade. “Gostaria de agradecer o convite, parabenizar pela organização e dizer que estou muito feliz em estar participando desse momento tão relevante para a democracia.”
Já o candidato a reitor José Rodrigues de Farias Filho reforçou o reconhecimento do espaço e a importância da presença das chapas. “Reforçar o agradecimento pela presença democrática nesse espaço.”
Pela Chapa 3, Helena Carla Castro Cardoso de Almeida agradeceu as entidades associou a situação à necessidade de maior participação:“Agradecemos muitíssimo a ADUFF, SINTUFF e DCE por proporcionar a realização do nosso sonho, que é um debate democrático. A gente estava tremendamente decepcionada na condução de não termos toda a representatividade.”
A candidata a vice da Chapa 3, Tathianna Prado Dawes também enfatizou a dimensão participativa. “Estamos aqui com essa oportunidade, de uma questão democrática aberta a todos.”
Conselhos superiores e participação política
O funcionamento do Conselho Universitário (CUV) e do CEPEX foi um dos temas mais sensíveis, com críticas ao formato remoto adotado.
Helena (Chapa 3) afirmou: “Você não consegue falar porque só tem um chat. Isso não é democracia.”
Pela Chapa 4, José Rodrigues reforçou a necessidade de retomada da interação direta:“A presencialidade é essencial para que esses espaços possam de fato realizar política.”
Pela Chapa 2, Luciana Maria Almeida de Freitas também defendeu a retomada das reuniões presenciais. “É uma demanda muito forte da comunidade universitária a volta dos conselhos em formato presencial, respeitando, evidentemente, a situação das unidades fora de sede.”
EBSERH
A renovação do contrato com a EBSERH foi tratada como um dos principais exemplos de como decisões estratégicas vêm sendo conduzidas na universidade.
Roberto de Souza Salles (Chapa 2) criticou o processo de deliberação: “Microfone silenciado e no chat, sim ou não? E depois de dois dias surgiu o resultado com abstenção. Esse tipo de reunião não tem abstenção, por isso que foi judicializado.”
Pela Chapa 3, Helena Carla Castro Cardoso de Almeida destacou o impacto da decisão:“A grande questão é que assinamos um contrato de 20 anos, com relação a essa empresa que auxilia na administração, vou usar assim esse termo.”
Já José Rodrigues de Farias Filho (Chapa 4) associou o tema à necessidade de revisão institucional mais ampla:“A universidade precisa de um choque de gestão [...] com transparência e governança.”
Debate explicita disputa sobre o modelo de gestão
Ao longo do debate, os temas do processo eleitoral, do funcionamento dos conselhos e da EBSERH apareceram interligados como parte de uma disputa mais ampla sobre o modelo de gestão da universidade.
As falas indicaram que está em jogo a forma como a universidade decide, organiza seus espaços de poder e estabelece sua relação com a comunidade.
O debate consolidou-se, assim, como um espaço de debate público entre projetos distintos e de pressão por maior participação nos rumos da UFF.




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